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Bloco no Rio promove integração das trabalhadoras do sexo e combate estigmas sociais

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Durante a festividade, um locutor em um carro de som pediu aos foliões que aplaudissem as trabalhadoras do sexo, ressaltando que elas merecem respeito. A música tocada homenageava as mulheres da Vila Mimosa, destacando a importância de sua presença na cultura local.

Apesar das homenagens, muitas dessas mulheres optam por se manter à margem do bloco, preferindo observar a festa de longe. Estrela, uma trabalhadora de 58 anos, explicou sua escolha de dançar nas calçadas em vez de se juntar ao grupo: ‘Na boate, não me importo, mas aqui, não quero chamar atenção’, afirmou.

O ‘Bloco Zona do Mangue e Vila Mimosa’ desfilou na última sexta-feira (6) pelas ruas da Praça da Bandeira, em uma noite chuvosa. Criado em 2018 por moradores locais, o evento visa celebrar a rica cultura da região, que historicamente é um ponto de referência para a prostituição.

A presidente do bloco, Cleide Almeida, mencionou que a participação das trabalhadoras do sexo nem sempre é como esperado. Algumas delas hesitam em se juntar ao bloco por medo de serem expostas na mídia. ‘Precisamos de apoio financeiro e projetos sociais para facilitar essa integração’, ressaltou.

Felipe Vasconcellos, um dos líderes da banda que toca no bloco, destacou que barreiras socioeconômicas dificultam a participação ativa das trabalhadoras. ‘Elas têm compromissos familiares e muitas vezes não encontram tempo para se envolver em atividades como percussão’, explicou.

Laísa, de 21 anos, que trabalha na Vila Mimosa, vê o bloco como uma oportunidade positiva, mesmo sem participar do desfile. ‘O evento ajuda a valorizar a nossa região e a combater o preconceito’, afirmou.

Estrela também compartilhou sua história, revelando que trabalha na área como um meio de sustentar sua família após enfrentar dificuldades financeiras. ‘Estou aqui para garantir o que tenho e melhorar minha situação’, disse.

Daniela Tarta, uma administradora que visitou o bloco pela primeira vez, expressou a intenção de se aproximar da comunidade e desmistificar preconceitos. ‘É fundamental apoiar essas mulheres e entender que elas são como qualquer outra pessoa’, afirmou.

A Vila Mimosa possui uma história que remonta ao final do século XIX, quando a antiga Zona do Mangue era o principal local de prostituição da cidade. Com o passar dos anos, intervenções urbanas deslocaram essas atividades, consolidando a Vila como um espaço de trabalho sexual nos anos 1990.

Atualmente, a luta por reconhecimento e respeito às trabalhadoras do sexo continua, impulsionada por movimentos sociais e associações de moradores, que buscam transformar a percepção sobre a região e suas profissionais.

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