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Bloco de Carnaval em Brasília Promove Acessibilidade para Pessoas com Deficiência

© Valter Campanato/Agência Brasil

Durante as festividades de carnaval, muitos espaços apresentam barreiras que dificultam a participação de pessoas com deficiência (PCD), como a ausência de rampas e calçadas adequadas, a falta de transporte público acessível e a escassez de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Ciente de que a acessibilidade é um direito fundamental, a historiadora Lurdinha Danezy Piantino, junto a pais e representantes de entidades dedicadas aos direitos das pessoas com deficiência, estabeleceu há 14 anos o bloco de carnaval ‘Deficiente é a mãe’. Essa iniciativa visa combater o capacitismo, que se manifesta como discriminação e desvalorização das capacidades das PCDs.

A Importância do Carnaval Inclusivo

Segundo Lurdinha, é essencial que as pessoas com deficiência ocupem todos os espaços sociais e culturais, especialmente durante o carnaval, que é um dos momentos mais importantes do calendário festivo. “A pessoa com deficiência deve estar presente”, enfatiza.

Lúcio Piantino, de 30 anos, é um exemplo dessa luta. Ele é a primeira Drag Queen com síndrome de Down do Brasil, conhecida como Úrsula Up, e defende que os blocos de carnaval são instrumentos cruciais para promover a inclusão. Lúcio expressa seu amor pelo carnaval e a importância de celebrar essa festividade de forma acessível a todos.

Luiz Maurício Santos, um dos cofundadores do bloco e cadeirante há 28 anos, relata as dificuldades enfrentadas para organizar o evento, mas reforça a importância de incentivar a participação de mais pessoas com deficiência. Ele destaca que ainda há um receio entre algumas PCDs em participar, devido a possíveis discriminações.

Francisco Boing Marinucci, de 22 anos, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um frequentador assíduo do bloco. A professora Raquel Boing Marinucci, sua mãe, leva-o ao evento, onde ele se diverte com as músicas de carnaval e se prepara para homenagear personagens do Sítio do Picapau Amarelo.

Raquel acredita que o bloco oferece um ambiente seguro e inclusivo para pessoas com deficiência, especialmente para jovens e adultos, que geralmente enfrentam mais barreiras sociais.

Desafios e Conquistas

Dados do IBGE indicam que cerca de 18,6 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, representando 8,9% da população. A deficiência visual é a mais prevalente, afetando aproximadamente 3,1% da população.

Thiago Vieira, um auxiliar de biblioteca com baixa visão, participa do carnaval acompanhado de sua cão-guia, Nina. Ele expressa sua satisfação em participar de eventos inclusivos, ressaltando a necessidade de mais espaços acessíveis durante todo o ano.

Carlos Augusto Lopes de Sousa, secretário escolar e frequentador regular do bloco, destaca a importância da inclusão e do respeito. Ele testemunha uma transformação positiva em sua vida após um acidente que o deixou em cadeira de rodas há 37 anos.

Carlos se mostra otimista em relação a pesquisas que visam promover mais inclusão e acessibilidade, destacando que eventos como o bloco ‘Deficiente é a mãe’ são passos significativos em direção a uma sociedade mais consciente.

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