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Governo apresenta projeto de lei sobre redução da jornada de trabalho

© Ricardo Stuckert / PR

Nesta semana, o governo federal encaminhará ao Congresso Nacional um projeto de lei que visa a diminuição da carga horária semanal de trabalho, sem que haja redução nos salários dos funcionários. A informação foi divulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma entrevista ao canal ICL Notícias.

Debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição

Em um pronunciamento anterior, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, mencionou que a discussão sobre a jornada de trabalho será conduzida por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Apesar de várias propostas já estarem em tramitação no Legislativo, Lula enfatizou a necessidade de que o governo apresente um texto próprio para guiar a discussão.

O presidente Lula argumentou que a melhoria nas condições de trabalho, incluindo a eliminação da escala 6×1, deve ser uma consequência do aumento da produtividade, impulsionado pelos avanços tecnológicos.

A experiência de Lula e a proposta de mudança

Durante a entrevista, Lula compartilhou sua vivência como metalúrgico para destacar como a automação elevou os lucros das empresas, sem necessariamente beneficiar os trabalhadores. Ele citou sua experiência na empresa Villares, onde a introdução de novas máquinas aumentou a produção de 4 para 80 peças diárias, enfatizando que esse ganho foi em favor da empresa e não dos funcionários.

O presidente questionou a viabilidade de uma redução da jornada, afirmando que a produtividade já cobre os custos dessa transformação. Para Lula, a revisão da escala de trabalho é uma questão que abrange não apenas a economia, mas também a saúde mental e a reeducação social, permitindo que os trabalhadores tenham mais tempo para lazer e obrigações familiares.

Flexibilidade nas negociações

Embora defenda a redução da jornada de trabalho, Lula ressaltou que a proposta deve incluir flexibilidade para que diferentes setores possam adaptar as mudanças por meio de negociações coletivas. Ele afirmou que, caso uma categoria se sinta prejudicada, acordos poderão ser realizados, sem restrições por parte dos sindicatos.

Análise das PECs em tramitação

Atualmente, a Constituição brasileira prevê uma jornada de até oito horas diárias e 44 horas semanais. O presidente não detalhou os termos do projeto de lei que será enviado. A CCJ está examinando propostas de PEC apresentadas pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), com previsão de análise da admissibilidade na próxima semana.

A primeira proposta sugere uma escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso, e limita a carga a oito horas diárias e 36 horas semanais, permitindo compensação de horas. A nova jornada entraria em vigor 360 dias após a publicação. A segunda proposta também prevê jornadas de oito horas diárias e 36 horas semanais, mas não especifica a escala, com a nova jornada valendo 10 anos após a publicação.

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