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Retomada do julgamento de réus pelo assassinato de Mãe Bernadete acontece amanhã

© Alberto Lima/Divulgação

O processo judicial que envolve dois réus acusados de assassinar a líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, será retomado na manhã desta terça-feira (14). O julgamento, iniciado na segunda-feira (13), foi adiado anteriormente.

Detalhes do julgamento

O júri popular de Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos ocorre no Fórum Ruy Barbosa, localizado em Salvador. Durante a sessão de ontem, foi realizado o sorteio de sete jurados que formarão o conselho de sentença, responsável por decidir o destino dos réus, através da condenação ou absolvição.

As primeiras audiências contaram com a oitiva de testemunhas, além do depoimento de Arielson, já que Marílio se encontra foragido.

A expectativa é que os debates sejam iniciados amanhã, envolvendo o Ministério Público e a defesa, sob a supervisão da Juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos.

Os réus são acusados de homicídio qualificado, com motivação torpe e uso de arma de fogo restrita, em um crime ocorrido em 2023 em Simões Filho. Além disso, Arielson enfrenta a acusação de roubo.

Outros indivíduos, como Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, este último supostamente o mandante do crime, também foram denunciados, mas ainda não têm data definida para julgamento.

Sobre o crime

Mãe Bernadete, aos 72 anos, foi brutalmente assassinada com 25 tiros em sua residência no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, no dia 17 de agosto de 2023. O ataque ocorreu após a invasão de homens armados que mantiveram familiares reféns.

Ela era uma proeminente líder da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, engajando-se na defesa dos direitos humanos e na luta contra o racismo. Mãe Bernadete também buscava justiça pela morte de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, que foi assassinado em 2017.

Apesar de ter denunciado inúmeras ameaças à sua vida, Mãe Bernadete continuava ativa em suas atividades, sendo parte do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Devido à complexidade e repercussão do caso, o Tribunal de Justiça decidiu transferir o julgamento para Salvador, visando garantir a imparcialidade do processo.

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