
O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria oferecido seis imóveis de luxo ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, como parte de um esquema de propina, conforme revelado pela Polícia Federal. O valor dos imóveis, situados em São Paulo e Brasília, é estimado em R$ 146,5 milhões.
Detalhes dos Imóveis Envolvidos
Entre os imóveis listados está o Heritage Cyrela, localizado no bairro de Itaim Bibi, em São Paulo, que apresenta apartamentos com 570 m², até cinco suítes e seis vagas na garagem, segundo informações da construtora.
Outro edifício mencionado é o Arbórea, também no Itaim Bibi, que dispõe de apartamentos de 472 m², além de quadras de tênis, piscina e área de fitness. O Casa Lafer, com unidades de 424 m², quatro suítes e cinco vagas, também foi parte da negociação, oferecendo academia e piscina.
Além disso, o One Sixty, situado na Vila Olímpia, em São Paulo, foi considerado na negociação, com apartamentos variando de 275 m² a 592 m². Em Brasília, dois empreendimentos foram envolvidos: o Ennius Muniz, localizado na área nobre do Noroeste, com 20 apartamentos de até 298 m², e o Valle dos Ipês, que ainda está em fase de lançamento, com seis torres de apartamentos de quatro suítes.
As investigações indicam que os pagamentos acordados entre Vorcaro e Paulo Henrique não se concretizaram devido à descoberta de um procedimento investigativo sigiloso sobre o pagamento de propina. A Polícia Federal identificou rastros financeiros que apontam desembolsos superiores a R$ 74,6 milhões relacionados a esses imóveis.
Paulo Henrique Costa foi preso em Brasília, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas a servidores públicos. O advogado Daniel Monteiro, que teria atuado em negociações entre o Banco Master e o BRB, também foi detido em São Paulo.
A defesa de Paulo Henrique argumenta que ele não cometeu nenhum crime e que sua prisão é desnecessária. Ele ocupou a presidência do BRB a partir de 2019 e esteve à frente da tentativa de aquisição do Banco Master, que resultou na compra de ativos problemáticos, levando a uma crise significativa para a instituição financeira.
A situação se agravou após a compra de ativos do Banco Master, considerados saudáveis, que foram avaliados em R$ 21,9 bilhões, enquanto o BRB precisa provisionar cerca de R$ 8,8 bilhões. Em depoimento à Polícia Federal, Paulo Henrique negou que a transação tivesse como objetivo salvar o Banco Master e defendeu a operação como uma estratégia para aumentar a competitividade do BRB.
