
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sugere que a implementação da gratuidade no transporte público nas 27 capitais do Brasil poderia injetar R$ 60,3 bilhões anualmente na economia nacional, apresentando um impacto semelhante ao do Bolsa Família.
Análise da Pesquisa
O estudo, intitulado ‘A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda’, foi coordenado pelo professor Thiago Trindade, do Instituto de Ciência Política da UnB. Os pesquisadores argumentam que essa política poderia contribuir para a redução das desigualdades raciais no país.
Financiado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, o trabalho conta com o apoio da Fundação Rosa Luxemburgo. A pesquisa analisou dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade de 2024, além de informações das operadoras de ônibus e sistemas metroferroviários.
Impacto Econômico Imediato
Os pesquisadores consideraram já existentes cerca de R$ 14,7 bilhões em isenções e gratuidades, como para idosos e estudantes, resultando em um impacto real de R$ 45,6 bilhões. De acordo com Trindade, isso representaria uma significativa injeção de liquidez para as famílias brasileiras, transformando gastos com passagens em renda disponível, o que estimularia a economia local.
Comparação com o Bolsa Família
Os autores do estudo afirmam que a tarifa zero poderia desempenhar um papel essencial na sociedade, semelhante ao do Programa Bolsa Família, ao atuar como um ‘salário indireto’ para as populações mais vulneráveis, especialmente para a população negra e moradores de áreas periféricas.
A pesquisa sugere que a gratuidade no transporte deve ser reconhecida como um direito social, assim como o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Educação Pública.
Financiamento da Política
Os pesquisadores propõem que a implementação de um sistema de transporte gratuito poderia ser financiada através da substituição do vale-transporte por um novo modelo de financiamento, com a participação de empresas públicas e privadas que empreguem mais de dez funcionários. Estima-se que 81,5% dessas empresas estariam isentas da contribuição, permitindo a viabilização do programa sem sobrecarregar o orçamento federal.
