
O tradicional São João de Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza, transcende a simples celebração cultural para se firmar como um motor econômico crucial, proporcionando significativas oportunidades de empreendedorismo e geração de renda. Histórias como as de Marilia Alexandre, de 44 anos, e Cecília Cesário, de 53, exemplificam como os dias de festa se transformam em um período de intensa atividade comercial, fundamental para o sustento familiar e o abastecimento financeiro ao longo do ano.
Festejo Como Plataforma de Negócios
Cecília Cesário, que há 16 anos monta sua barraca no evento, encara o São João como um momento estratégico para compensar as finanças de meses anteriores. Ela se dedica à venda de salgados, bolos, comidas típicas e bebidas, ressaltando o caráter empreendedor da sua participação. “Eu não me vejo me divertindo, eu me vejo empreendendo”, afirma Cecília, destacando a seriedade de seu compromisso comercial.
A crescente atração do evento para visitantes de outros estados, impulsionada pela confirmação de artistas renomados, expande ainda mais as chances de lucro. Em 2025, o festival atraiu cerca de 2,7 milhões de espectadores, evidenciando o vasto potencial de público. Cecília observa a diversidade dos clientes e a importância do bom atendimento para fidelização: “Se um cliente começa na primeira noite e se eu atender bem, ele pode estar lá na frente do palco, mas ele volta para comprar novamente”.
Marilia Alexandre compartilha a mesma visão, enxergando o São João como uma vitrine essencial para o seu negócio no setor alimentício. A expectativa para a edição de 2026 é alta, com o evento atraindo público de diversas regiões. Marilia também elogia a organização, especialmente nos quesitos segurança – que incluirá videomonitoramento com reconhecimento facial – e a campanha de divulgação, que neste ano integra a temática junina com a Copa do Mundo.
Impacto Econômico e Social na Comunidade
O São João de Maracanaú tem um impacto econômico substancial na localidade. Conforme Júnior Gadelha, secretário municipal do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo de Maracanaú, o evento é responsável pela geração de mais de 4.500 empregos, entre diretos e indiretos. Marilia e Cecília estão entre os 1.500 empreendedores credenciados por meio de edital público, atuando em diversas áreas como gastronomia, bebidas, artesanato e serviços.
Para as empreendedoras, o retorno financeiro do São João é vital para a manutenção de seus negócios ao longo do ano. Marilia Alexandre, que possui um ponto físico em Pajuçara, e Cecília Cesário, permissionária de um quiosque em Maracanaú, dependem dessa arrecadação para reinvestir e modernizar seus equipamentos. A estimativa da organização é que o evento movimente cerca de R$ 100 milhões na economia local, com a meta de superar esses números na edição atual, fortalecendo ainda mais o comércio da cidade.
O negócio de Marilia, por exemplo, que normalmente emprega 10 pessoas, pode expandir sua equipe para até 50 funcionários durante o período junino, ajustando-se à demanda. Ela prioriza a contratação de familiares e mães solo, oferecendo oportunidade a pessoas com maior dificuldade de inserção no mercado formal. “É muito gratificante ajudá-las e vê-las engajadas e envolvidas no negócio. Sempre busco trazer mulheres porque a gente vai se fortalecendo umas com as outras”, compartilha.
Edição de 2026 e Programação
A edição de 2026 do São João de Maracanaú terá suas atividades entre 29 de maio e 27 de junho. O tema deste ano é “O País do Futebol, quem domina é o Forró”, combinando duas grandes paixões nacionais. A programação inclui nomes de peso da música brasileira como Wesley Safadão, Bell Marques, Raça Negra, Gusttavo Lima, Simone Mendes, Limão com Mel, Magníficos e Taty Girl. Além dos shows, a Cidade Junina estará aberta durante a semana para as disputas de quadrilhas, exceto às segundas-feiras, quando o local é reservado para manutenção.
