
A Ucrânia foi alvo de uma vasta ofensiva russa na madrugada da última segunda-feira (15), resultando em danos significativos a um mosteiro reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO e causando mortes e ferimentos em diversas cidades. A capital, Kyiv, juntamente com Dnipro e Kharkiv, foram as principais regiões atingidas pela incursão aérea.
Destruição no Mosteiro das Cavernas e Balanço de Vítimas
O complexo monástico Lavra de Kyiv-Pechersk, um dos mais antigos e importantes centros religiosos cristãos do país, localizado em Kyiv, sofreu um grave incêndio que destruiu parte de sua estrutura. A Catedral da Dormição, integrante do sítio histórico que data dos séculos XI a XIX, teve seu telhado incendiado e severamente danificado. Apesar da evidência, a Rússia negou ter atacado o Mosteiro das Cavernas.
Os bombardeios resultaram em um saldo de nove mortos, incluindo equipes de resgate em Kharkiv, e mais de vinte feridos na capital ucraniana. A Força Aérea da Ucrânia informou que a Rússia disparou cerca de 70 mísseis e 611 drones. Embora a defesa ucraniana tenha interceptado ou neutralizado eletronicamente 632 alvos, pelo menos 20 mísseis balísticos e 27 drones conseguiram atingir 42 localidades em território ucraniano.
Reações Internacionais e Resposta Ucraniana
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou forte repúdio ao bombardeio em suas redes sociais, descrevendo-o como um dos crimes mais graves da Rússia contra a cultura cristã. Ele também fez um apelo urgente aos países do G7 para que intensifiquem a pressão sobre o Kremlin e reforcem o envio de sistemas de defesa aérea à Ucrânia. Zelensky ainda reiterou que o G7 discutiu novas sanções contra a Rússia e demonstrou apoio à adesão da Ucrânia à União Europeia.
O chefe da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, metropolita Epifânio, classificou o ataque como “mais um crime contra a humanidade, a história e o cristianismo”. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia anunciou que serão iniciados procedimentos junto à UNESCO para uma resposta imediata e adequada. A ação também foi veementemente condenada pelo ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, que comparou a destruição à de Notre Dame, considerando-a inaceitável.
Em retaliação, um ataque de drones ucranianos atingiu duas pontes que conectam a região de Kherson, sob controle russo, à península da Crimeia, anexada pela Rússia, interrompendo o tráfego. Por sua vez, o Ministério da Defesa russo alegou ter derrubado 123 drones ucranianos durante a noite.
Ataques Contra Civis e Táticas Empregadas
Os bombardeios russos deixaram um rastro de devastação em áreas urbanas de diversas províncias. Em Kyiv, o chefe da Administração Militar, Tymur Tkachenko, atualizou o número de vítimas para quatro mortos e pelo menos trinta feridos, incluindo duas crianças de 5 e 6 anos. Cinco mísseis atingiram alvos civis no distrito de Shevchenkivskyi em menos de meia hora, incendiando um edifício residencial de 25 andares, um mercado e uma mercearia. No distrito de Obolonskyi, um prédio de nove andares sofreu impacto direto, levando Tkachenko a caracterizar o ataque como uma “decisão deliberada” de Moscou.
Na cidade de Kharkiv, as forças russas empregaram a tática conhecida como “toque duplo”, lançando drones adicionais no distrito de Kholodnohirskyi após a chegada de equipes de emergência. Essa tática resultou na morte de quatro socorristas e um funcionário municipal, além de ferir outros seis socorristas e três civis.
Dnipro também foi atingida, com projéteis destruindo o prédio de uma faculdade local e quebrando janelas de uma escola e da Casa de Música de Órgão e Câmara. Dois feridos foram registrados na região, que enfrentou quase 30 ataques combinados. Na província de Sumy, um míssil atingiu um edifício residencial, ferindo três pessoas, incluindo uma criança.
Versão Oficial Russa
O Ministério da Defesa da Rússia confirmou a autoria dos ataques, contudo, afirmou ter utilizado apenas armas de precisão de longo alcance e drones direcionados a alvos militares legítimos. Segundo a nota oficial russa, os alvos incluíam indústrias bélicas, centros de recrutamento e bases aéreas em Kyiv, Kharkiv e Dnipro.
