
Uma profunda comoção marcou Juazeiro do Norte, no Ceará, nesta terça-feira (16), durante o velório coletivo das vítimas do trágico acidente com um ônibus da equipe de basquete sub-19 do município. O incidente, ocorrido na madrugada de segunda-feira (15) no interior cearense, resultou na morte de sete integrantes do time. Entre as vozes de dor, o treinador Ricardo Lemos, visivelmente abalado, expressou o sentimento de perda irrecuperável que assola a comunidade.
Em um depoimento carregado de emoção no Ginásio Poliesportivo de Juazeiro do Norte, onde seis das sete vítimas eram veladas, Lemos declarou: ‘Eu daria a minha vida pela dos meninos ali’. O professor, que trabalha voluntariamente com o esporte há duas décadas, recebeu alta hospitalar recentemente e recorda os instantes após o capotamento. Com hematomas no rosto, ele descreve ter batido a cabeça na porta da cabine do motorista, por onde ele e outros membros da equipe conseguiram escapar. ‘No primeiro momento, eu só quis salvar todo mundo, não vi que eu estava ferido’, relatou, destacando o instinto de proteger seus atletas.
Detalhes da Tragédia e o Adeus às Vítimas
A colisão rodoviária aconteceu na CE-187, nas proximidades de Tauá, também no Ceará. O veículo transportava a delegação de basquete de Sobral, onde havia disputado um campeonato, de volta para Juazeiro do Norte quando tombou. O acidente ceifou a vida de seis jogadores e um membro da comissão técnica, além de deixar cerca de 30 pessoas feridas que receberam atendimento médico. Destes, três sobreviventes permanecem internados no Hospital Regional do Cariri.
As cerimônias fúnebres mobilizaram a cidade. No Ginásio Poliesportivo de Juazeiro do Norte, eram velados os jovens Henrique Ferreira Bezerra, de 17 anos; Jonatan Samuel dos Santos Lopes; Cauã Rodrigues Fratta, também de 17; Luiz José de Morais Neto, de 19; João Paulo Sampaio de Alencar, de 18; e Marcos Miguel da Silva, assistente técnico. O sétimo corpo, do jovem Matheus Henrique Ferreira Martins, de 15 anos, estava sendo velado no Centro de Velório Anjo da Guarda.
O Departamento Municipal de Trânsito e de Transportes (Demutran) e a Guarda Municipal de Juazeiro do Norte coordenaram o cortejo fúnebre pela cidade. O dia foi marcado por um momento de oração e uma celebração ecumênica, antecedendo o sepultamento de todos os corpos previsto para a tarde desta terça-feira. O treinador Ricardo Lemos fez questão de agradecer o amplo apoio recebido da prefeitura, do governo estadual, do Brasil e da comunidade do basquete, ressaltando a união em um momento de dor.
Em meio ao cenário de luto, Ricardo Lemos refletiu sobre as viagens para competições, um aspecto inerente à vida esportiva que, segundo ele, sempre carrega uma delicadeza. ‘Quando você vai para outra cidade competir, colocar o seu corpo em performance, a gente pensa que nenhum atleta se machuque, que todo mundo volte bem. Não era assim que eu queria ver nossa quadra de esporte. Estou quebrado de espírito’, desabafou. A dor se estendeu aos familiares, como Siloé Martins, pai de Matheus Henrique, uma das vítimas. Em entrevista, ele relatou a paixão inexplicável do filho pelo basquete, que havia completado aniversário dias antes: ‘Ele disse: é o meu sonho, eu vou recompensar tudo que o senhor está investindo em mim’, recordou Siloé, eternizando a memória do jovem atleta.
