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Percentual de Jovens Estudantes Trabalhadores no Ceará Atinge Mínimo Histórico, Indica IBGE

Arquivo/Agência Brasil

O Ceará observou uma redução expressiva no número de adolescentes entre 15 e 17 anos que combinam os estudos com alguma ocupação profissional. Dados divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, em 2025, o contingente de jovens cearenses nessa faixa etária com alguma atividade laboral caiu para 16 mil, uma queda significativa em relação aos aproximadamente 32 mil registrados em 2016.

Essa diminuição representa o menor patamar já registrado na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) Educação 2025, um levantamento do IBGE. Em seu ponto mais alto, no ano de 2019, 10,1% dos adolescentes cearenses nessa faixa etária exerciam atividades remuneradas enquanto frequentavam a escola. Houve um breve aumento temporário em 2024, quando cerca de 23 mil estudantes estavam inseridos no mercado de trabalho.

A faixa etária de 15 a 17 anos é considerada ideal para a conclusão do Ensino Médio, conforme as diretrizes do Ministério da Educação (MEC) e do Plano Nacional de Educação (PNE). A redução da participação de estudantes cearenses no mercado de trabalho tem sido uma tendência observada ao longo dos anos. Em 2024, o governo federal lançou o programa Pé-de-Meia, uma iniciativa direcionada a alunos de baixa renda matriculados em escolas públicas do Ensino Médio.

O Pé-de-Meia visa oferecer incentivos financeiros para motivar a permanência dos jovens na escola e reduzir a necessidade de ingressarem precocemente no mercado de trabalho. Essa política pública busca atenuar a pressão econômica sobre as famílias,indo estudantes dediquem maior tempo à sua formação educacional. Um estudo recente, de março deste ano, sugeriu que o programa pode ser um fator relevante para que o Ceará alcance uma das menores taxas de evasão escolar do Brasil, especialmente entre alunos em situação de vulnerabilidade social.

Contudo, a própria PNAD Educação não estabelece uma conexão causal direta entre a diminuição do trabalho juvenil e a implementação de programas de auxílio financeiro. A pesquisa tem como objetivo principal coletar, de forma periódica, dados sobre a frequência escolar e outras características educacionais da população com idade a partir de cinco anos.

Em cenário nacional, a pesquisa de 2025 revelou que mais de um milhão de estudantes com idade entre 15 e 17 anos estavam envolvidos em alguma atividade laboral. Os estados com os maiores números absolutos de jovens trabalhando foram São Paulo, com 225 mil, seguido por Minas Gerais, com 141 mil, e Bahia, que registrou 80 mil.

Com 16 mil adolescentes nessa situação, o Ceará ocupa a 17ª posição entre os estados brasileiros em termos absolutos. Quando a análise considera a proporção em relação ao total de estudantes na mesma faixa etária, o estado se destaca com um dos menores índices do país, apresentando 4,4%. Apenas o Rio Grande do Norte (3%) e o Rio de Janeiro (3,7%) exibem percentuais inferiores.

Em contraste, os maiores percentuais de estudantes que conciliam estudos e trabalho foram identificados em Santa Catarina, com 24,3%, Mato Grosso (21,8%), Rio Grande do Sul (19,7%), Goiás (19,5%) e Paraná (19%).

Os levantamentos do IBGE também evidenciam um avanço na permanência escolar em todo o Brasil. Em 2025, a taxa de escolarização de adolescentes de 15 a 17 anos alcançou 93,2%, o que representa um aumento de 6,2 pontos percentuais em comparação com 2016. Esse dado sinaliza que um número crescente de jovens tem permanecido matriculado e concluindo suas etapas de formação educacional.

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