PUBLICIDADE

Atrasos e Disputas Judiciais: Hotel de Luxo no Ceará Perde Marca Hard Rock

G1

Um ambicioso projeto hoteleiro de alto padrão na costa do Ceará enfrenta um cenário de múltiplos reveses, com atrasos que superam cinco anos, um volume expressivo de ações judiciais e, mais recentemente, a perda da licença para usar a renomada marca Hard Rock. A decisão judicial proíbe a incorporadora HRH Fortaleza/Residence Club de explorar o nome da rede, marcando mais um capítulo desafiador para o empreendimento, cujo custo, inicialmente estimado em R$ 170 milhões, já ultrapassou os R$ 275 milhões.

Previsto para ser inaugurado em 2020, o complexo tem sido alvo de uma onda de contestações por parte de clientes insatisfeitos e está sob apuração do Programa Estadual de Defesa do Consumidor do Ceará (Decon). Um levantamento recente do órgão, datado de julho de 2025, indicou a existência de mais de 1.100 processos relacionados ao caso apenas no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).

Desde fevereiro de 2025, a incorporadora também está impedida de comercializar novas frações do projeto, somando-se à proibição de uso do nome que impulsionou as vendas: Residence Club at The Hard Rock Hotel Fortaleza. Atualmente, o futuro do empreendimento permanece incerto, sem uma data de conclusão definida, sem a marca que o notabilizou e com um número crescente de consumidores buscando reparação legal. Documentos recentes obtidos por veículos de imprensa apontam para uma entrega faseada, com previsões estendendo-se de 2028 a 2034.

Contexto do Projeto e Promessa Inicial

A chegada da rede de resorts ao Brasil foi amplamente divulgada com a apresentação do hotel cearense como uma das duas primeiras unidades. Após a estreia com o Hard Rock Café em 2015, o fundo Venture Capital Participações e Investimentos (VCI), precursor da HRH, anunciou em dezembro de 2017 a obtenção do licenciamento da marca norte-americana para hotéis no país. As unidades iniciais incluíam o Hard Rock Fortaleza, localizado na Praia da Lagoinha, em Paraipaba, a cerca de 100 quilômetros da capital, e o Hard Rock Ilha do Sol, em Londrina (PR).

O modelo de negócio adotado foi o de multipropriedade, onde compradores adquiriam uma fração do imóvel. O plano era que a HRH/Residence Club se encarregasse da construção e venda, enquanto a Hard Rock licenciaria seu nome para atrair clientes e, com o hotel pronto, assumiria a administração. Os proprietários das frações teriam direito a utilizar o espaço por duas semanas anuais. O complexo prometia uma estrutura luxuosa à beira-mar, com 228 apartamentos, unidades de dois quartos, casas de até 536m², além de lojas, piscinas, spa, quadras, bares, restaurantes e área para eventos, totalizando 639 unidades disponíveis. A construção teve início no final de 2017 e as vendas começaram em junho de 2018.

Disputas e Explicações para os Atrasos

Diante do Decon, a HRH/Residence Club atribuiu os extensos atrasos a fatores como as exigências da Hard Rock Brazil, os impactos da pandemia de Covid-19 e a alegada má gestão de proprietários anteriores da empresa. A incorporadora argumenta estar empenhada na finalização do hotel, mas enfrenta dificuldades financeiras geradas por rescisões contratuais, a proibição de novas vendas, o aumento dos custos da obra e problemas com fornecedores.

Paralelamente, muitos adquirentes de frações que recorreram à Justiça buscam responsabilizar também a Hard Rock Brazil pelo impasse. A rede, por sua vez, defende que sua participação se limitava à cessão da marca, sem envolvimento direto nas etapas de construção. No entanto, em maio de 2025, o Decon determinou a inclusão do grupo Hard Rock como parte investigada no processo administrativo em andamento, indicando uma reavaliação de sua responsabilidade no caso.

Leia mais

PUBLICIDADE