
O Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), situado na Praça Marechal Âncora, no Corredor Cultural do Rio de Janeiro, inaugurou uma nova exposição intitulada “Vida Reinventada – A Pandemia de Covid-19 e a Transformação do Futuro”. A iniciativa, idealizada pela ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, propõe uma imersão reflexiva sobre a maior crise sanitária do século 21 e suas implicações para o porvir.
Com acesso gratuito, a mostra estará disponível ao público a partir de 1º de julho e se estenderá até abril de 2027. Os visitantes poderão explorar o espaço de terça-feira a sábado, no horário das 10h às 17h. Para grupos interessados, há a possibilidade de agendamento prévio por meio do telefone (21) 2240-5318. A exposição é planejada para ser inclusiva, dispondo de recursos de acessibilidade e uma equipe de educadores qualificados, incluindo profissionais proficientes em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) e atendimento em língua inglesa.
Legado da Pandemia e Visão para o Amanhã
A concepção artística da exposição, sob a direção de Adrén Alves, busca, ao mesmo tempo, evocar a memória do período pandêmico e transmitir uma mensagem construtiva sobre o futuro. Alves ressalta a importância de aprender com as adversidades, afirmando que a exposição convida à reflexão sobre como os eventos poderiam ter se desenrolado de maneira distinta, para evitar a repetição de equívocos passados. A expografia e cenografia, assinadas por André Cortês, um renomado cenógrafo brasileiro, enfatizam a capacidade da criatividade humana coletiva de emergir frente aos desafios, fortalecendo redes de apoio durante momentos críticos.
A mostra é um tributo à ciência, às vítimas da COVID-19 e aos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), que dedicaram suas vidas no combate à doença, além de honrar a vacinação e a resiliência das mulheres na linha de frente. O conteúdo da exposição abrange documentos históricos, relatos pessoais, instalações artísticas, testemunhos diversos, vídeos e curtas-metragens, com a participação de cientistas na curadoria ao lado de Nísia Trindade. Os organizadores definem os eixos “memória, justiça e reparação” como pilares centrais da experiência sensorial e documental oferecida, visando uma profunda análise das respostas sociais à crise sanitária no Brasil.
Para Nísia Trindade, que fez história como a primeira mulher a presidir a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a ocupar o cargo de ministra da Saúde no Brasil, o conceito de “reinventar a vida” está intrinsecamente ligado à capacidade de transformar o futuro. Ela salienta que a exposição procura valorizar a dimensão subjetiva da experiência coletiva, ao mesmo tempo em que explora a perspectiva política essencial para prevenir, preparar e responder de forma adequada e unificada a futuras emergências de saúde.
Atividades Complementares Ampliam Diálogo
Complementando a exposição principal, uma série de três iniciativas será desenvolvida em paralelo no Rio de Janeiro e em Niterói, expandindo o alcance do projeto para além do ambiente museológico. O diretor artístico da mostra destaca que a intenção é levar a exposição para fora de suas paredes, enriquecendo o engajamento com a temática proposta.
Entre as ações programadas estão rodas de leitura, promovidas em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Estes encontros estão agendados para os dias 6 de julho, 3 de agosto e 8 de setembro, com foco em registros históricos de crises de saúde, produções artísticas e literárias surgidas durante a pandemia, e publicações nas áreas das ciências biomédicas e sociais, visando ampliar o debate cultural, científico e educacional.
Um ciclo de seminários, em colaboração com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), também será realizado. Os eventos ocorrerão presencialmente com transmissão online, dedicados à análise dos impactos sociais, científicos e humanos da pandemia. A programação específica dos seminários será definida pela SBPC, e a exposição integrará, ainda, a agenda cultural da Reunião Anual da SBPC, que ocorrerá de 26 de julho a 1º de agosto em Niterói, promovendo um intercâmbio entre ciência, cultura e memória.
Finalmente, uma mostra de filmes será apresentada em conjunto com o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio), entre os dias 5 e 9 de agosto. A seleção incluirá documentários, obras de ficção e curtas-metragens produzidos durante o período pandêmico, explorando diversas perspectivas sobre os efeitos sociais, políticos e humanos da doença. A programação cinematográfica será enriquecida por debates com realizadores e pesquisadores.
