
Uma significativa pressão oriunda de operadores do mercado financeiro tem sido registrada, visando uma mudança substancial na pré-candidatura do campo conservador para a presidência da República. A preferência manifestada por esses agentes é pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), em detrimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Representantes de corretoras e fundos de investimento expressaram descontentamento com o atual pré-candidato. A insatisfação advém da recusa do senador em se comprometer com propostas como uma nova reforma previdenciária e a revisão de programas sociais, medidas consideradas essenciais pelo mercado para viabilizar o ajuste fiscal, pauta prioritária cobrada do governo.
Adicionalmente, a percepção do setor financeiro, especialmente na Faria Lima, foi impactada negativamente por uma reportagem do Intercept Brasil. A publicação detalhou que Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos a Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master, para financiar a produção de “Dark Horse”, um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Diante desse cenário, Michelle Bolsonaro surgiu como a figura preferida por uma parcela desses investidores e analistas.
Desafios Políticos e Reações Partidárias
Profissionais do mercado consultaram lideranças de partidos como PSD e Republicanos para verificar a viabilidade de uma eventual mudança de legenda por parte de Michelle Bolsonaro, o que permitiria sua candidatura em outra chapa. Contudo, a informação obtida foi de que o prazo para trocas partidárias já expirou, tornando a candidatura pelo PL a única opção possível.
Para formalizar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, o Partido Liberal já agendou sua convenção, que acontecerá em São Paulo no próximo dia 25 de julho.
Há aproximadamente dez dias, um jantar em São Paulo, promovido por um banqueiro, reuniu dirigentes partidários que debateram a potencial candidatura de Michelle à Presidência. Embora alguns presentes a considerassem um nome competitivo, a avaliação geral apontava para a improvável aprovação de Jair Bolsonaro a tal empreitada.
Em entrevista concedida nesta quarta-feira (8) ao SBT News, Gilberto Kassab afirmou não ter sido contatado para discutir a participação da ex-primeira-dama na corrida eleitoral. Ele, no entanto, ressaltou que Michelle seria bem-recebida caso manifestasse interesse em filiar-se ao Partido Social Democrático (PSD).
Kassab, que preside o PSD e é vice na chapa presidencial de Ronaldo Caiado, destacou que Michelle possui uma imagem favorável entre o público feminino e o eleitorado evangélico. “É evidente que ela será muito bem acolhida em nossos ambientes, seja como convidada, seja como filiada, caso demonstre interesse futuramente”, declarou o líder partidário.
A assessoria da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, quando procurada, assegurou que não há incertezas quanto à confirmação do senador na disputa pelo Palácio do Planalto. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, também foi contatado para comentar, mas não ofereceu retorno até o momento.
