
Uma recente intensificação dos confrontos entre Rússia e Ucrânia resultou na morte de pelo menos 22 civis entre a noite de domingo (19) e a manhã de segunda-feira (20). O conflito, que se arrasta desde a invasão russa em 2022, atravessa agora uma de suas fases mais violentas, com o Mar Negro consolidando-se como um epicentro renovado de ataques e retaliações.
A campanha de verão ucraniana tem focado estrategicamente em alvos navais e infraestruturas energéticas russas. Relatos indicam que embarcações do rival têm sido atacadas sistematicamente, com 116 ocorrências no Mar de Azov e outras 54 na porção sul do Mar Negro em apenas duas semanas. Tais ações têm causado desabastecimento de combustíveis na Rússia e parcialmente interrompido o transporte de grãos, uma importante rota comercial russa na região.
Em resposta, as forças russas intensificaram suas investidas desde o final da semana passada. No domingo, drones russos atingiram três navios graneleiros que, segundo o Ministério da Defesa da Rússia, transportavam suprimentos para as tropas ucranianas. A bordo de uma dessas embarcações, o Golden Leo, de bandeira da Guiné-Bissau e operado por uma empresa indiana, dez marinheiros perderam a vida, incluindo quatro cidadãos indianos, levando a protestos do governo da Índia, um parceiro da Rússia.
As Forças Armadas da Ucrânia, por sua vez, negaram que o navio, carregado com milho, estivesse a seu serviço, afirmando que a embarcação foi atingida por três mísseis de cruzeiro. Paralelamente, em Odessa, o maior porto ucraniano, três pessoas morreram em um armazém. As autoridades russas justificaram o ataque como uma ação contra o desembarque de combustível e outros produtos destinados ao esforço de guerra da Ucrânia.
Ataques e Contra-ataques em Solo e Céu
A escalada de violência se estendeu para além do Mar Negro. Após Kiev ter sido alvo de 48 mísseis balísticos na madrugada de sábado para domingo, as forças ucranianas lançaram um massivo ataque de drones contra Moscou. O incidente causou dez feridos na cidade de Domodedovo, lar de um dos principais aeroportos da capital russa, que precisou ser fechado temporariamente.
Contudo, o episódio mais grave em território russo ocorreu na região meridional de Belgorodo, onde um drone ucraniano atingiu um ônibus civil. Conforme o governador local, Alexander Chuvaiev, cinco pessoas morreram neste ataque, que teve lugar na cidade fronteiriça de Chebekino. Kiev não se manifestou sobre o ocorrido. A imprensa russa ainda reportou a morte de outras quatro pessoas em ataques em áreas de fronteira com a Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, declarou que suas forças alvejaram três refinarias russas.
Zelenski enfrenta um momento desafiador. Além da intensificação dos combates no Mar Negro, sua estratégia pode reverter-se contra a Ucrânia, especialmente se a Rússia conseguir bloquear novamente o vital comércio de grãos do país, responsável por 6% do mercado global de trigo e 11% do milho. Internamente, o presidente foi alvo de grandes protestos em Kiev nesta segunda-feira, após a demissão do popular Ministro da Defesa, Mikhailo Fedorov, a quem era atribuído o sucesso recente na guerra assimétrica contra as forças russas.
