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Estudo do Unicef Mapeia Vulnerabilidade de Crianças a Riscos Climáticos no Brasil

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Em um panorama global marcado pela intensificação das mudanças climáticas e a ocorrência frequente de eventos extremos, uma análise conduzida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela a significativa exposição de crianças e adolescentes a desafios ambientais e climáticos em território nacional. O levantamento, que destaca padrões notáveis de desigualdade na distribuição desses riscos, foi divulgado por meio do Painel Crianças e Meio Ambiente, uma iniciativa desenvolvida em colaboração com a organização de saúde global Vital Strategies.

A pesquisa identificou 333 municípios brasileiros em um estado de maior vulnerabilidade socioambiental e climática, especialmente para a população infantojuvenil, o que corresponde a aproximadamente 6% do total de cidades do país. Esta plataforma inovadora permite a consulta da situação de todos os 5.571 municípios brasileiros, utilizando dados coletados entre os anos de 2021 e 2025.

Metodologia e Indicadores de Risco

Para avaliar a condição dos municípios, o painel integra 14 indicadores distintos de exposição ambiental, agrupados em quatro áreas temáticas essenciais. Essas categorias compreendem a Qualidade do Ar, Infraestrutura Ambiental e Urbana, Eventos Climáticos Extremos e o Ambiente Escolar, oferecendo uma visão abrangente dos fatores que impactam a vida das crianças e adolescentes.

Entre os critérios analisados, destacam-se a recorrência de chuvas torrenciais, ondas de calor e períodos de seca em anos recentes. A ausência de acesso à água potável tratada ou à coleta de esgoto, bem como a poluição atmosférica resultante do transporte público ou que excede os limites estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), também são fatores cruciais considerados pela plataforma.

Níveis de Prioridade para Intervenção

A situação de cada município é classificada em três níveis de prioridade, conforme a gravidade dos indicadores. O nível 3 sinaliza uma necessidade de atenção imediata e prioritária. O nível 2 sugere a elaboração de planos e a implementação progressiva de ações a curto e médio prazo. Já o nível 1 indica baixa prioridade, requerendo monitoramento contínuo sem urgência de intervenções emergenciais.

Segundo o estudo, os 333 municípios que alcançaram o nível 3 em mais de dez dos 14 indicadores demonstram uma vulnerabilidade severa e multifacetada. Notavelmente, há uma concentração significativa dessas cidades nas regiões do Norte e no estado do Maranhão. Em contrapartida, 108 municípios, representando 1,9% do total, não apresentaram alta prioridade em nenhum dos parâmetros avaliados.

Panorama Regional da Vulnerabilidade

Os dados revelam que os municípios com o maior número de indicadores em alta prioridade estão predominantemente localizados nos estados do Pará, Acre, Amazonas, Maranhão e Mato Grosso. Dos trinta municípios com o pior desempenho agregado, vinte e quatro pertencem à Região Norte, enquanto quatro estão no Maranhão e os quatro restantes em Mato Grosso. A nota técnica da pesquisa aponta que muitas dessas localidades possuem populações reduzidas e economias fortemente dependentes de atividades primárias, o que acentua a exposição a riscos climáticos e socioambientais e restringe a capacidade de resposta local.

Na análise da qualidade do ar, que avaliou o percentual de dias entre 2021 e 2025 com concentrações de partículas finas acima do recomendado pela OMS, a Região Norte apresentou a maior prioridade, com 94% de seus municípios afetados, uma condição provavelmente associada às queimadas. A Região Sudeste também se destaca neste quesito; embora apenas 39% de seus municípios estejam no grupo de maior prioridade, estes concentram 72% da população infantil da região, com a baixa qualidade do ar possivelmente ligada ao transporte e atividades industriais.

Em relação aos eventos climáticos extremos, as Regiões Norte e Sul concentram, respectivamente, 91% e 68% dos municípios que exigem atenção, sobretudo devido à ocorrência de chuvas intensas. Já os indicadores relacionados à infraestrutura ambiental e urbana indicam que as maiores proporções de municípios com alta prioridade se encontram no Norte (78%) e Nordeste (46%).

Impacto e Chamado à Ação

Danilo Moura, especialista em Mudanças Climáticas do Unicef, sublinhou que, em situações de eventos extremos, crianças e adolescentes dependem de seus cuidadores para identificar perigos e tomar decisões de segurança, pois não possuem a mesma autonomia para agir por conta própria. Esse ponto ressalta a importância de políticas públicas que protejam os mais jovens em contextos de crise ambiental.

Layla Saad, representante adjunta do Unicef no Brasil, apontou que a conversão de dados em prioridades permite aos municípios identificar desafios cruciais e direcionar políticas, programas e orçamentos de forma mais eficaz. A iniciativa busca, assim, fortalecer a capacidade das administrações locais para enfrentar os complexos desafios ambientais e garantir um futuro mais seguro para as novas gerações.

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