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Itamaraty Recusa Visto a Diplomatas dos EUA em Meio a Questionamentos Eleitorais

Ranier Bragon

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conhecido como Itamaraty, confirmou a rejeição de pedidos de visto para dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. A solicitação de entrada no país foi negada a esses diplomatas norte-americanos, que, segundo relatos, planejavam integrar uma missão com o intuito de questionar a integridade das eleições presidenciais e o funcionamento das urnas eletrônicas brasileiras.

As informações sobre a delegação dos EUA surgiram inicialmente em uma reportagem do jornal The Washington Post. O periódico detalhou que a administração do então presidente Donald Trump pretendia enviar altos representantes ao Brasil para uma avaliação do sistema eleitoral antes do pleito presidencial de 4 de outubro.

A apuração do The Washington Post, baseada em informações de quatro autoridades dos Estados Unidos e do Brasil que preferiram manter o anonimato, identificou os membros da delegação como Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente. Foram esses dois nomes que tiveram suas autorizações de entrada recusadas pela chancelaria brasileira.

Fontes internas do governo brasileiro, sob condição de anonimato, expressaram preocupação com uma possível ação coordenada entre a iniciativa da gestão americana e a campanha do então senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Tal preocupação ganhou força após discursos recentes do parlamentar, que reacenderam a desinformação sobre uma falsa conexão entre as urnas eletrônicas brasileiras e a empresa venezuelana Smartmatic.

O Departamento de Estado norte-americano havia protocolado os pedidos de visto para os dois funcionários junto ao Consulado-Geral do Brasil em Washington em 20 de um mês anterior. A resposta negativa do Itamaraty foi comunicada dias após a solicitação.

A reportagem do Post não esclareceu quais seriam os métodos a serem empregados pelos representantes americanos para auditar o sistema eleitoral, nem quais autoridades ou instituições seriam incluídas na agenda da visita. É notório que o Brasil frequentemente serve como referência na América do Sul devido à agilidade na contagem dos votos, com os resultados das eleições sendo divulgados poucas horas após o término da votação.

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