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Encontro no Banco Central aborda crise e resgate bilionário do BRB

© Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, recebeu Nelson Antônio de Souza, presidente do Banco de Brasília (BRB), em uma reunião a portas fechadas na última segunda-feira, 27 de maio. O encontro ocorreu entre 15h30 e 16h30 e se deu em um contexto de profunda reestruturação financeira para a instituição brasiliense, que enfrenta desafios após problemas relacionados ao Banco Master.

Além dos dois líderes, a pauta institucional contou com a presença de Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central, e Ana Paula Teixeira de Sousa, diretora de Controle e Riscos do BRB. Conforme a agenda oficial de Galípolo, os tópicos discutidos foram de natureza institucional, sem que o BRB emitisse qualquer comunicado subsequente ao término da reunião.

Aguardando o Socorro Financeiro

A participação da diretora de Controle e Riscos do Banco de Brasília, Ana Paula Teixeira de Sousa, sublinha a criticidade do momento. A área sob sua responsabilidade monitora riscos operacionais, identifica falhas e fraudes, e acompanha situações que podem abalar a estabilidade do sistema financeiro. Atualmente, o BRB aguarda a concretização de um pacote de socorro avaliado em R$ 6,6 bilhões, processo que envolve diversas etapas.

No final de junho, o Governo do Distrito Federal (GDF), que controla o BRB, alcançou um acordo chancelado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Esse pacto visa viabilizar os recursos necessários para cobrir parte das perdas decorrentes de operações com o Banco Master. Adicionalmente a esse montante, o GDF planeja injetar R$ 2,2 bilhões de seus próprios recursos, o que demandará ajustes nas contas públicas e cortes em investimentos.

Obstáculos para a Liberação dos Recursos

Apesar da homologação do acordo pelo STF, a efetivação do resgate ainda depende de passos cruciais. É necessária a assinatura dos contratos com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), a formalização das contragarantias à União e a conclusão de auditorias financeiras independentes do Banco de Brasília.

As negociações para a liberação do empréstimo têm enfrentado entraves, especialmente com a postura de bancos privados envolvidos na transação. Essas instituições exigem que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil forneçam garantias para a operação, transferindo assim o risco de uma eventual inadimplência do BRB para os bancos federais.

A situação do BRB é agravada pela dificuldade em melhorar sua liquidez, que se refere à capacidade de converter ativos em dinheiro rapidamente e pelo valor de mercado. Recentemente, no dia 17, o banco cancelou um acordo de R$ 15 bilhões que havia sido firmado com a gestora Quadra Capital. Este negócio, embora não ampliasse diretamente o capital da instituição, permitiria ao BRB trocar ativos de baixa liquidez do Banco Master, como imóveis, por ativos mais líquidos, devido a um pagamento parcial à vista e à criação de um fundo de investimento.

Impacto da Ausência do Balanço

Outro fator que prolonga a espera pelo resgate é a falta de divulgação das demonstrações financeiras do BRB referentes ao exercício de 2025. A apresentação desse balanço, juntamente com a finalização das auditorias independentes, é uma das exigências para que o pacote de socorro seja concretizado. A ausência da publicação do balanço tem gerado sanções ao BRB, incluindo multas aplicadas pelo Banco Central.

Declarações do Ministério da Fazenda

No mesmo dia da reunião no Banco Central, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, abordou a situação do BRB em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco. O ministro declarou que o patrimônio da instituição foi significativamente afetado por operações envolvendo ativos do Banco Master. Ele afirmou que o BRB teria adquirido carteiras de baixa qualidade, o que culminou em perdas bilionárias.

Ao comentar o caso, Durigan usou uma analogia contundente, explicando que o banco “basicamente passou R$ 12 bilhões para o Master e recebeu guardanapo, papel que não valia nada”, referindo-se ao baixo valor dos ativos recebidos na operação. Esta não foi a primeira interação entre representantes do GDF e a direção do Banco Central; em 14 de maio, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, também participou de um encontro com Gabriel Galípolo e Nelson Antônio de Souza, que ela descreveu como “técnico”, sem detalhar os temas discutidos.

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