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Mobilização Nacional Destaca Lipedema e a Importância do Diagnóstico Precoce

© Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Aproximadamente uma décima parte da população feminina no Brasil enfrenta o lipedema, uma condição caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura nas extremidades do corpo. Diferente de uma simples questão estética, esta doença crônica do tecido adiposo, frequentemente confundida com celulite, pode acarretar dores intensas, inchaço, sensibilidade ao toque e restrições significativas na mobilidade diária.

Com o propósito de intensificar a visibilidade e fomentar o reconhecimento antecipado da doença, iniciativas de conscientização foram programadas em um total de 26 cidades no Brasil e no exterior. Pacientes, seus familiares e profissionais de saúde uniram-se em diversas atividades para alertar a sociedade sobre o impacto do lipedema e a necessidade de um diagnóstico preciso.

Entendendo o Lipedema: Sintomas e Características

Em depoimento à Agência Brasil, a cirurgiã vascular e angiologista Tatiana Losada, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, esclareceu que o lipedema é uma patologia crônica do tecido adiposo, marcada pelo depósito excessivo de gordura, especialmente em regiões como pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços. A condição atinge predominantemente mulheres e se manifesta por sintomas como dor, hipersensibilidade ao toque, sensação de peso nos membros inferiores, edemas e facilidade para o surgimento de hematomas.

A especialista fez questão de diferenciar o lipedema da celulite. Enquanto a celulite se apresenta como uma alteração superficial da pele, conferindo o aspecto de “casca de laranja” e geralmente sem dor relevante ou aumento desproporcional dos membros, o lipedema se destaca pelo aumento simétrico e volumoso das pernas ou braços, acompanhado de dor e sensibilidade. Outras características incluem a sensação de peso, inchaço persistente e a formação de hematomas com frequência. É notável a preservação dos pés e das mãos, criando uma distinção clara entre as áreas afetadas e as não afetadas, muitas vezes percebida como um “garrote” nos tornozelos ou punhos.

Diagnóstico e Abordagens Terapêuticas

A confirmação do lipedema é essencialmente clínica, pautada na análise detalhada do histórico da paciente e em um exame físico minucioso. Conforme a Dra. Tatiana Losada, não existem exames laboratoriais ou de imagem específicos que validem o diagnóstico do lipedema atualmente. Contudo, exames como o ultrassom Doppler podem ser requisitados para investigar a circulação sanguínea e descartar outras enfermidades com sintomas similares.

Embora seja uma condição de natureza crônica, o lipedema é tratável e controlável. O plano terapêutico é individualizado e pode abranger uma nutrição balanceada, manejo do peso corporal, prática regular de atividades físicas – com ênfase no fortalecimento muscular –, sessões de fisioterapia, aplicação de terapia compressiva e acompanhamento por uma equipe multiprofissional. Em situações específicas e cuidadosamente avaliadas, a intervenção cirúrgica pode ser uma opção, visando a diminuição da dor e do inchaço, a manutenção da mobilidade e, consequentemente, a melhoria da qualidade de vida da paciente.

Fatores de Risco e a Urgência do Diagnóstico Precoce

As origens do lipedema ainda não foram completamente elucidadas, mas há uma forte evidência de conexão com fatores genéticos e hormonais. É comum observar a ocorrência da doença em múltiplas mulheres da mesma família, mesmo que sem diagnóstico formal. Os sintomas podem se intensificar ou surgir em fases de alterações hormonais, como a adolescência, a gestação e a menopausa. Adicionalmente, o aumento de peso, o sedentarismo e desequilíbrios metabólicos, embora não sejam causas primárias, podem agravar o quadro clínico, a inflamação e as restrições de movimento.

A médica reitera a importância de que, ao identificar possíveis sinais de lipedema, o indivíduo procure um profissional de saúde com expertise na doença, evitando atribuir os sintomas apenas ao excesso de peso. Uma avaliação médica precoce permite um controle mais eficaz dos sintomas, a proteção das articulações, a preservação da mobilidade e a prevenção de tratamentos desnecessários. Além disso, um diagnóstico preciso contribui para aliviar o peso da culpa que muitas mulheres carregam ao pensar que a condição é fruto exclusivo de hábitos alimentares ou da ausência de esforço para emagrecer.

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