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Ausência Feminina Marca Cenário Projetado para as Eleições Presidenciais de 2026

Reprodução/Folha de S.Paulo

As projeções para as eleições presidenciais de 2026 indicam uma particularidade histórica neste século: pela primeira vez desde o pleito de 2002, as chapas consideradas com potencial competitivo não incluem uma mulher disputando a Presidência ou a Vice-Presidência. Este cenário representa uma mudança significativa em relação às últimas seis disputas eleitorais, nas quais, invariavelmente, ao menos uma mulher esteve presente nos postos mais destacados das candidaturas de maior relevância nacional.

Para determinar a competitividade das chapas, a análise considera partidos com representação no Congresso Nacional e que, na eleição anterior, obtiveram um mínimo de 1% dos votos válidos no primeiro turno. Nomes masculinos como Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos são atualmente apontados como os principais articuladores para a disputa pelo Palácio do Planalto.

Apesar do panorama geral, existem candidaturas femininas já anunciadas, embora não enquadradas nos critérios de competitividade estabelecidos. Samara Martins, pela Unidade Popular (UP), concorre à Presidência, enquanto Raquel Bricio foi indicada para a Vice-Presidência pela mesma legenda. Contudo, a UP não possui assentos na Câmara dos Deputados nem no Senado Federal, o que a exclui do grupo das chapas consideradas competitivas conforme a metodologia adotada.

Debates sobre a Participação Política Feminina

A ausência feminina nas chapas de destaque surge em meio a intensos debates sobre a participação das mulheres na esfera política. Houve especulações de que figuras femininas pudessem integrar composições partidárias mais robustas; por exemplo, o senador Flávio Bolsonaro chegou a considerar uma vice-presidente mulher, visando uma maior aproximação com o eleitorado feminino. No entanto, a escolha final recaiu sobre o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), oficializado como seu companheiro de chapa. Declarações recentes de figuras ligadas à direita, incluindo Paulo Figueiredo, associado à família Bolsonaro, reacenderam discussões sobre o direito ao voto feminino e a representatividade das mulheres nos espaços de poder durante o período pré-eleitoral, adicionando contexto a este cenário.

Retrospectiva Histórica: Mulheres em Disputas Anteriores

As eleições de 2022 ainda contaram com a presença de três mulheres em chapas consideradas competitivas. Simone Tebet concorreu à Presidência pelo MDB, tendo Mara Gabrilli como candidata à Vice-Presidência; a chapa obteve menos de 5% dos votos no primeiro turno. Atualmente, Tebet ocupa o Ministério do Planejamento no governo Lula e almeja uma vaga ao Senado por São Paulo pelo PSB. No mesmo pleito, Ana Paula Matos integrou como vice a chapa encabeçada por Ciro Gomes, ambos do PDT, que alcançou aproximadamente 3% dos votos na primeira etapa.

O pleito de 2018 se destacou pelo maior número de mulheres em candidaturas presidenciais com visibilidade. Manuela d’Ávila foi a vice de Fernando Haddad (PT), composição que chegou ao segundo turno contra Jair Bolsonaro. Na mesma corrida eleitoral, Ciro Gomes teve Kátia Abreu como vice, enquanto Geraldo Alckmin concorreu ao lado de Ana Amélia Lemos. Cabo Daciolo também disputou o comando do país com Suelene Balduino como vice. Adicionalmente, Marina Silva representou a Rede Sustentabilidade na disputa pela Presidência.

Quatro anos antes, em 2014, três mulheres lideraram candidaturas presidenciais com chances: Dilma Rousseff (PT), que conquistou a reeleição, Marina Silva (PSB) e Luciana Genro (PSOL). Em 2010, Dilma e Marina também foram protagonistas na disputa presidencial, com a petista sagrando-se vencedora no segundo turno.

Em 2006, Heloísa Helena representou o PSOL na disputa pelo Palácio do Planalto, alcançando o terceiro lugar. Já nas eleições de 2002, Rita Camata foi candidata à Vice-Presidência na chapa de José Serra (PSDB), que foi superada por Luiz Inácio Lula da Silva e José Alencar no segundo turno, marcando a última vez que o cenário de 2026 seria replicado.

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