
O avanço de crateras e voçorocas provocadas por chuvas intensas tem gerado apreensão entre os moradores de Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas. Sem sistemas de drenagem adequados, a instabilidade do solo coloca diversas residências em situação de risco de desabamento nos bairros Galo da Serra, Aida Mendonça e Tancredo Neves.
No bairro Galo da Serra, parte significativa de uma via pública foi engolida por uma cratera que já ultrapassa os 15 metros de profundidade, evidenciando uma progressão alarmante a cada novo período chuvoso. A instabilidade do terreno é uma constante preocupação para os habitantes.
Lidiane Souza, cabeleireira e moradora da região, expressa seu temor. Segundo ela, o perigo se intensifica durante tempestades com ventos fortes. “Principalmente este ponto, que está muito próximo à minha casa, está cedendo por baixo. Quando o tempo fecha e há muito vento, ouvimos as árvores caírem. Esta é a nossa grande preocupação”, relatou a moradora.
Em outro ponto da cidade, no Aida Mendonça, a doméstica Cida Cabral, que reside na localidade há mais de três anos, manifesta apreensão de que o processo erosivo atinja sua moradia. “É muito preocupante, chove todos os dias. O buraco já está chegando perto do muro da minha casa, avançando por baixo. Um poste aqui também está balançando e pode cair. Às vezes chove de madrugada, eu acordo e venho olhar, com medo de tudo desabar”, desabafou Cida.
O problema se estende ao bairro Tancredo Neves, onde famílias de uma estância localizada nas proximidades de uma das crateras foram forçadas a abandonar seus imóveis devido ao iminente risco de colapso.
Vistorias e Avaliação Técnica em Áreas de Risco
Equipes da Defesa Civil do Amazonas e da Defesa Civil Municipal realizaram vistorias nas áreas mais comprometidas. O principal objetivo dessas ações é mapear as zonas de risco e estabelecer as estratégias mais eficazes para conter o avanço das erosões.
Maely Carvalho, geóloga da Defesa Civil Estadual, explicou que a composição do solo amazônico contribui significativamente para a formação dessas estruturas. “Em razão do nosso solo na Amazônia, isso é bastante comum. Estamos aqui para analisar a situação dessas erosões, elaborar nosso parecer técnico, verificar a condição real e identificar quais imóveis ou edificações podem ser afetados”, detalhou a geóloga.
A engenheira ambiental Karoline Costa acrescentou que a avaliação em andamento também considera os impactos sobre o meio ambiente e a infraestrutura local. “Estamos compilando esses dados para definir as recomendações estruturais necessárias para as contenções, além de propor ações relacionadas ao dano ambiental e às famílias que vivem no entorno. A deficiência na drenagem agrava a situação, impactando e contaminando o solo”, frisou a engenheira.
De acordo com Rodrigo Martins, secretário operacional da Defesa Civil de Presidente Figueiredo, os levantamentos técnicos servirão como base fundamental para o encaminhamento de solicitações de obras emergenciais à administração pública.
