
A Justiça do Trabalho identificou que a intimidação virtual configura a maioria dos casos de assédio eleitoral em análise. Um estudo qualitativo do Tribunal Superior do Trabalho (TST) sobre 138 processos em tramitação revelou que 93 deles, representando 67,4%, envolvem a coerção por meios digitais.
Os dados coletados fundamentam a campanha “No meu voto mando eu”, lançada pelo TST. A iniciativa visa coibir qualquer tentativa de empregadores em influenciar o posicionamento político ou o voto de seus subordinados, buscando proteger a liberdade de escolha.
A Digitalização do Assédio e o "Novo Voto de Cabresto"
Em entrevista, o juiz-auxiliar da presidência do TST, Rodrigo Trindade, destacou a proliferação de ações judiciais ligadas ao comportamento de empregados em plataformas digitais. O magistrado descreve a fiscalização virtual como uma forma contemporânea de “voto de cabresto”, explicando que este tipo de assédio ocorre quando empregadores monitoram as redes sociais de seus funcionários, seja para coagi-los a alterar suas postagens ou para adotar determinadas posições políticas, configurando um “patrulhamento” digital.
A possibilidade de ingressar com ações na Justiça do Trabalho por assédio eleitoral foi estabelecida em 2023. Atualmente, o levantamento do TST indica a existência de mais de 700 processos em andamento em todo o território nacional, com os 138 casos já mencionados servindo como base para a análise aprofundada da natureza do problema.
