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Dólar Apresenta Queda no Início da Quinta-feira em Cenário de Expectativas Econômicas e Tensões Geopolíticas

O dólar norte-americano iniciou a quinta-feira (27) com uma leve desvalorização frente ao real. O movimento ocorre em um contexto de expectativa por novos leilões cambiais anunciados pelo Banco Central brasileiro. No cenário internacional, a moeda dos Estados Unidos demonstrava força, mantendo ganhos contra outras divisas consideradas fortes, enquanto o mercado financeiro também monitorava as negociações entre EUA e Irã sobre o controle do estratégico Estreito de Hormuz.

Por volta das 9h07, a divisa dos EUA registrava queda de 0,12%, sendo negociada a R$ 5,1473. Na sessão anterior, quarta-feira (26), o dólar havia fechado em valorização de 0,25%, cotado a R$ 5,152, influenciado pela repercussão de dados inflacionários no Brasil e nos Estados Unidos. A Bolsa de Valores, por sua vez, encerrou o dia estável, mantendo o patamar de 174.586 pontos.

A performance doméstica do dólar espelhou tendências externas. O índice DXY, que mensura a força da moeda americana frente a uma cesta de seis moedas relevantes, avançou 0,23%, alcançando 99,15 pontos no exterior.

Impacto da Inflação no Brasil e nos EUA

Internamente, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) brasileiro registrou um desempenho abaixo das projeções. Concomitantemente, nos Estados Unidos, a inflação medida pelo Índice de Preços para Consumo Pessoal (PCE) permaneceu acima da meta estabelecida pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

O resultado do IPCA-15 brasileiro, que indicou deflação de -0,40% em agosto, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira, intensificou as apostas em uma sequência de cortes na taxa básica de juros, a Selic. Tal cenário tende a elevar o interesse de investidores por ativos de risco. Contrariamente, o índice PCE nos EUA reforçou a expectativa de possíveis aumentos nas taxas de juros americanas, o que contribui para o fortalecimento do dólar.

Esta deflação do IPCA-15 é a primeira em um ano e a maior em quatro anos, superando a mediana das estimativas do mercado financeiro, que apontava para -0,32%. No acumulado de 12 meses até agosto, o índice mostra alta de 4,24%, mantendo-se abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. A queda nos preços reforça a probabilidade de um corte na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para setembro.

Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, avalia que o dado inflacionário é positivo para o mercado acionário. Segundo ele, o resultado apoia a expectativa de um ciclo de cortes de juros mais consistente, beneficiando setores sensíveis à taxa, como varejo e construção.

Inflação Americana Acima da Meta e Perspectivas para Juros

Nos EUA, o índice PCE, medido pelo Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio, apresentou alta de 3,7% nos 12 meses até julho, taxa idêntica à de junho. Economistas consultados pela agência Reuters projetavam um aumento de 3,6%. A inflação anual nos Estados Unidos permanece acima da meta de 2% do Federal Reserve, fator crucial para a decisão do banco central americano sobre a manutenção ou elevação dos juros do país.

De acordo com dados da LSEG, participantes do mercado precificam uma elevação de 0,25 ponto percentual nas taxas de juros americanas até o final deste ano. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, afirma que, embora o resultado do PCE mostre uma inflação persistente acima da meta do Fed, com o núcleo mantendo ritmo elevado, não deve alterar a expectativa do mercado por uma manutenção dos juros em setembro, com possíveis altas postergadas para outubro ou dezembro.

Para Araújo, da Zero Markets Brasil, o dado do PCE não surpreende negativamente, mas reitera a pressão inflacionária nos EUA, limitando o espaço do Federal Reserve para cortes de juros mais agressivos no curto prazo e sustentando a valorização do dólar.

Situação no Estreito de Hormuz Continua no Radar

Paralelamente aos fatores econômicos, investidores mantêm a atenção nas negociações relacionadas ao Estreito de Hormuz. Na última quarta-feira, o Irã anunciou um suposto acordo com Omã para o controle do estreito, uma via marítima crucial por onde, antes do conflito atual, passava um quinto da produção global de petróleo e gás natural liquefeito.

Contudo, o vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, declarou que o estreito permanecerá com restrições até a finalização dos detalhes do acordo, que ainda não ocorreu. Essa afirmação gerou dúvidas sobre o anúncio inicial, visto que, segundo a Guarda Revolucionária iraniana, a medida seria implementada apenas mediante o consentimento dos Estados Unidos com seus termos. Os EUA, que iniciaram o conflito no final de fevereiro, já manifestaram oposição a qualquer resolução para Hormuz que não esteja sob seu controle.

Na segunda-feira anterior, os Estados Unidos anunciaram a ampliação de sanções contra o Irã e nações que mantiverem relações comerciais com a República Islâmica. A administração de Donald Trump descreveu a ação como um “Dia D Econômico”, com termos amplos, mas sem impor retaliações imediatas. A iniciativa de Washington visa expandir as sanções a setores vitais da economia iraniana, incluindo ativos digitais, tecnologia e aviação.

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