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Tensão Geopolítica Impulsiona Preços do Petróleo Acima de US$ 105 em Meio a Temores Globais

Redação O Estado CE

O cenário de incertezas geopolíticas desencadeou um aumento superior a 5% nos preços internacionais do petróleo nesta quinta-feira (8), enquanto os mercados acionários registraram quedas expressivas, alimentando novos temores inflacionários. A escalada foi impulsionada por reportagem da revista The Atlantic, que noticiou a consideração do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de ordenar novos ataques contra o Irã, em um período antecedente às eleições legislativas de meio de mandato norte-americanas, previstas para novembro.

O barril de petróleo Brent, referência no mercado europeu e asiático, atingiu a cotação de US$ 105,47 (equivalente a R$ 528,99) por volta das 8h (horário de Brasília), marcando uma valorização de 5,26% em relação ao fechamento anterior. Este valor representa o patamar mais alto desde 24 de setembro, quando o Brent foi negociado a US$ 108,23. Simultaneamente, o petróleo WTI (West Texas Intermediate), principal benchmark nos Estados Unidos, era transacionado a US$ 92,29 (R$ 462,89), apresentando uma alta de 4,53% por volta das 9h.

Ameaças ao Irã e Contexto Eleitoral dos EUA

A volatilidade nos preços do petróleo reverteu uma tendência de baixa observada no início da semana, quando sinais de recuperação das exportações do Oriente Médio e a concordância dos países do G7 em liberar parte de suas reservas de emergência indicavam uma estabilização. Contudo, a apreensão retornou com dados que apontavam para uma intensificação dos ataques iranianos a navios-tanque no estratégico Estreito de Hormuz, somados a ofensivas de grupos Houthis, do Iêmen e aliados do Irã, contra aeroportos na Arábia Saudita. A ameaça de uma retomada de ataques pelos EUA, divulgada pela The Atlantic, consolidou a disparada dos preços.

Conforme a revista, a Casa Branca teria solicitado ao Pentágono a elaboração de planos para possíveis ataques a instalações iranianas antes das eleições de meio de mandato. A avaliação é que tal medida poderia beneficiar os republicanos de Trump, que enfrentavam risco de perder o controle de ambas as casas do Congresso. Embora a dimensão e os alvos dos ataques estivessem em discussão, a reportagem indicava a possibilidade de uma operação de maior envergadura ser planejada para após a votação de 3 de novembro.

Ainda segundo a publicação, os proponentes da ação militar não acreditavam que os ataques resultariam em negociações com Teerã ou na reabertura do Estreito de Hormuz. A intenção, alegadamente, seria demonstrar força e firmeza às vésperas do pleito eleitoral.

Impactos no Comércio Marítimo e Preocupações Climáticas

A instabilidade na região do Estreito de Hormuz teve reflexos diretos no tráfego marítimo. Dados da empresa de análise Kpler revelaram que o número de embarcações de transporte de commodities que cruzaram a rota caiu para o menor nível em mais de dois meses, com apenas sete navios registrados na terça-feira (6), um patamar não visto desde 23 de julho.

Somando-se às tensões geopolíticas, o mercado também demonstrou preocupação com o anúncio da Chevron e Shell sobre a redução da produção de petróleo nos Estados Unidos. A medida foi tomada em antecipação à chegada do Furacão Isaias, que se intensificou a 715 km ao sul-sudoeste da foz do rio Mississippi, tornando-se o primeiro furacão da temporada atlântica de 2026. O Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC) informou na quinta-feira que o Isaias se aproximava com ventos máximos sustentados de 120 km/h, com previsão de fortalecimento adicional e sua chegada à costa norte do Golfo do México na noite de sexta-feira, afetando áreas de produção offshore e refinarias em terra. A notícia de que membros da Agência Internacional de Energia (AIE) estavam prontos para liberar mais petróleo de suas reservas não foi suficiente para acalmar os operadores.

Quedas Acionárias Globais

A turbulência nos mercados de commodities reverberou nas bolsas de valores globalmente. Após as quedas registradas pelos três principais índices de Wall Street na quarta-feira (7), o pessimismo se alastrou pela Ásia. O índice CSI300, que agrupa as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1,1%, alcançando seu menor patamar desde agosto de 2025 ao fechar em 4.310 pontos. Em Xangai, o índice SSEC desvalorizou 0,8%, enquanto o Índice Star 50, focado em tecnologia, despencou quase 5%, atingindo a menor cotação em cinco meses, na reabertura das bolsas chinesas após uma semana de feriado.

Outros mercados asiáticos importantes também registraram perdas significativas, incluindo Tóquio (-1,42%), Seul (-2,62%), Hong Kong (-1,43%), Taiwan (-0,99%) e Singapura (-3,49%). Wang Zhuo, sócio da Shanghai Zhuozhu Investment, comentou que o otimismo excessivo no primeiro semestre em relação a ações de ‘tecnologia de ponta’, como fabricantes de chips, gerou avaliações irrealisticamente altas, e que ‘as bolhas inevitavelmente estourariam’. No continente europeu, o índice STOXX 600 operava em queda de 1,42%, acompanhado por perdas em Frankfurt (-1,12%), Londres (-0,61%), Paris (-1,12%), Madri (-1,52%) e Milão (-1,67%) por volta das 7h30.

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