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Especialista afirma: ‘Facções crescem onde o estado abandonou as pessoas’!

Norte e Nordeste enfrentam avanço do crime organizado em luta pelo controle de áreas

Pesquisadores que acompanham o avanço das facções criminosas no Brasil identificam um movimento de expansão nacional do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando, que buscam se consolidar como verdadeiras máfias. Essa estratégia tem intensificado as disputas territoriais entre esses grupos e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O foco principal de crescimento está nos estados do Norte e do Nordeste, regiões estratégicas por onde passa a rota do Solimões — caminho fundamental para o escoamento de drogas produzidas na América Latina com destino à Europa. O entorpecente corta a Amazônia por rios e rotas aéreas e deixa o país por portos nordestinos, que ainda não recebem a mesma atenção das autoridades em comparação com os portos do Sul e Sudeste, como o de Santos (SP).

Enquanto no Rio de Janeiro as guerras entre facções servem para preservar territórios já dominados pelo crime — incluindo tráfico e milícias —, o Nordeste vive uma nova fase de ocupação e expansão. Segundo especialistas, o poder das facções se fortalece onde o Estado se faz ausente. Nessas áreas, a falta de transporte público de qualidade, de policiamento ostensivo (em contraste com operações violentas e pontuais) e de oportunidades de emprego abre espaço para o domínio criminoso.

“O crime se organiza onde o Estado abandonou as pessoas. As organizações criminosas ocupam as favelas e tiranizam os moradores”, afirma Ricardo Balestreri, ex-secretário nacional de Segurança e coordenador do Núcleo de Urbanismo Social e Segurança Pública do Insper.

De acordo com o especialista, o poder financeiro que sustenta o domínio territorial das facções vem de fora das comunidades.
“Quem vai à Suíça negociar fuzis da SIG Sauer? Quem compra fuzis R-15 fabricados nos Estados Unidos? É o morador da comunidade?”, questiona Balestreri.

Versões usadas ou mais simples desses armamentos não custam menos de R$ 30 mil e são adquiridas em dólar, diretamente com fabricantes estrangeiros. O enfrentamento às facções, segundo especialistas, precisa ir além do combate direto e incluir ações de inteligência financeira e logística, como as investigações do tipo follow the money e follow the product (“siga o dinheiro” e “siga o produto”), além do bloqueio ao fornecimento de armamentos pesados.


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