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Crise nos Correios: Demissão em massa pode espalhar pelo Brasil o caos vivido em Jaguaruana (CE)

Os Correios estudam demitir cerca de 10 mil funcionários como parte de um plano urgente de reestruturação financeira, apresentado ao Tribunal de Contas da União (TCU). O corte deve ocorrer por meio de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) e tem como objetivo enxugar despesas para garantir a obtenção de R$ 20 bilhões em crédito junto a bancos e à União.

O discurso oficial é de que a redução de gastos e a reorganização administrativa são essenciais para recuperar a competitividade e restabelecer a liquidez da estatal. No papel, parece uma solução necessária. Na prática, o impacto real pode ser devastador para milhares de brasileiros que dependem de um serviço postal minimamente funcional — especialmente em regiões onde alternativas privadas não existem ou são inacessíveis.

O futuro do Brasil pode estar no presente de Jaguaruana

Se o plano avançar, o restante do país pode experimentar o mesmo drama vivido pelos moradores de Jaguaruana, no Ceará, que há meses enfrentam um serviço colapsado após a redução de servidores. A agência local passou a funcionar apenas duas vezes por semana, incapaz de suportar a demanda. Correspondências e encomendas chegam quase sempre atrasadas, causando prejuízo para comerciantes, transtornos para famílias e até risco para quem depende de medicamentos enviados pelos Correios.

A população convive com a sensação permanente de abandono e sem qualquer garantia de que novos servidores serão transferidos para normalizar o atendimento. O caos virou rotina.

E a pergunta que fica é direta: se uma cidade inteira pode ser entregue ao improviso, o que acontecerá quando esse cenário se repetir Brasil afora?

Em vez de fortalecer uma empresa pública estratégica para milhões de brasileiros, o que se vê é a construção de uma solução imediatista que pode custar caro no futuro — social, econômico e politicamente.

Se a experiência de Jaguaruana for um indicativo do que está por vir, prepare-se: atrasos, filas, agências fechadas e frustração podem se tornar a nova realidade nacional.

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