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Motoristas de aplicativo enganados: “caíram no conto do vigário”, afirma Sakamoto

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A rotina de muitos motoristas de aplicativo no Brasil tem se mostrado mais próxima da exploração do que do empreendedorismo autônomo, com longas jornadas de trabalho e ganhos desproporcionais. Essa é a análise apresentada no livro “O que os coaches não te contam sobre o futuro do trabalho”, de Leonardo Sakamoto e Carlos Juliano Barros, que avalia como esses trabalhadores, impulsionados pela tecnologia, foram, de certa forma, enganados.

Lançado em São Paulo e Brasília, o livro foi apresentado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e terá sessão de autógrafos no Rio de Janeiro. A obra destaca que o principal problema enfrentado por esses trabalhadores é que as plataformas digitais retêm uma parcela significativa dos lucros, pagando menos do que o reivindicado. Além disso, esses profissionais frequentemente não possuem direitos trabalhistas básicos, como contribuições para a aposentadoria ou seguro em caso de acidentes.

Segundo a análise, alguns trabalhadores começaram a culpar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por diversos problemas, como se a lei fosse um obstáculo para o sucesso profissional. No entanto, os autores argumentam que a culpa pelos baixos salários e condições de trabalho precárias recai sobre os empregadores e o sistema político.

Sakamoto identifica um ataque sistemático aos direitos trabalhistas, com influenciadores e políticos culpando a CLT pelos problemas. O livro busca trazer reflexões atualizadas sobre a exploração no campo profissional, abordando temas como os danos causados pela inteligência artificial e a precarização do trabalho, como as contratações de pessoas físicas como pessoas jurídicas (PJ).

A obra também aborda outras formas de precarização, como o “frila fixo”, que tem os mesmos deveres de um contratado, mas sem os direitos. Sakamoto também ressalta que o desenvolvimento de grandes conglomerados não erradicou o trabalho escravizado e o uso de crianças em atividades laborais.

Para o pesquisador, este é um momento crucial para que a sociedade possa garantir a dignidade no ambiente de trabalho. Ele lamenta a persistência da escravidão contemporânea no Brasil e defende que as formas arcaicas de superexploração do trabalho sobreviveram às mudanças sociais, coexistindo com as altas tecnologias.

A tecnologia, segundo Sakamoto, não garante necessariamente a melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores. Ele defende a necessidade de reivindicações e mobilizações por parte dos trabalhadores para enfrentar o cenário de exploração, reconhecendo que a tecnologia pode ser uma ferramenta tanto para precarizar quanto para mobilizar.

No caso dos motoristas de aplicativo e entregadores, a luta atual é pela garantia de um preço mínimo da corrida e de condições de trabalho adequadas. Os trabalhadores têm se mobilizado através das redes sociais, buscando fortalecer suas demandas após o enfraquecimento dos sindicatos com a reforma trabalhista.

Sakamoto observa que o país vive em meio a forças que lutam em relação ao campo profissional. Ao mesmo tempo em que o Estado Brasileiro tem uma estrutura de proteção na Justiça do Trabalho e no Ministério Público do Trabalho (MPT), há um pensamento escravagista nas três esferas de poder.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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