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Nova estátua de Fátima impulsiona turismo religioso e reforça catolicismo no Cariri

G1

A recente inauguração de uma estátua monumental de Nossa Senhora de Fátima, no Crato, tem atraído milhares de fiéis e consolidado a região do Cariri como um dos principais polos de turismo religioso do Nordeste brasileiro. A imagem, com impressionantes 54 metros de altura, é agora a maior dedicada à santa em todo o mundo.

O Crato, em particular, destaca-se pelo forte enraizamento do catolicismo em sua população. Dados do Censo Demográfico de 2022 revelam que 91% dos habitantes se declaram católicos, superando a média nacional de 56% e tornando a cidade, entre os municípios com mais de 100 mil moradores, com a maior proporção de adeptos da religião.

A ligação entre o Cariri e o catolicismo é histórica e intrínseca à cultura local. Romarias, procissões e diversas práticas de devoção popular permeiam o cotidiano, movimentando a economia da região em cerca de R$ 2,5 milhões anuais, através do turismo religioso. Festas, celebrações e visitas a locais considerados sagrados fortalecem os laços comunitários.

Segundo moradores, como Ana Geysa Grangeiro Sampaio, a influência católica começa no berço e se manifesta em todas as esferas da vida. Apesar da amplitude, a prática religiosa se molda às necessidades individuais, gerando um catolicismo plural. O padre Tales, da Igreja Matriz de São José, em Potengi, ressalta o cuidado histórico em cultivar a fé católica na região, atenta também às questões sociais.

A história da ocupação do Cariri é fundamental para entender o enraizamento do catolicismo. Os primeiros povoados surgiram em torno de fazendas, capelas e oratórios familiares, que serviam como centros de devoção, sociabilidade e organização comunitária. A presença de missionários, como jesuítas, capuchinhos e padres seculares, consolidou esse processo com a difusão de sacramentos e festas de padroeiro.

No século XVIII, as missões dos capuchinhos impulsionaram a devoção a Nossa Senhora da Penha, mas foi no século XIX, com a chegada do padre Ibiapina, que a evangelização atingiu seu auge. Ibiapina criou casas de caridade, incentivou a educação e disseminou uma prática religiosa voltada ao acolhimento e à solidariedade. Sua atuação inspirou o jovem padre Cícero, nascido na região.

A Igreja também estruturou bases sólidas para a formação religiosa. A instalação de um grande seminário diocesano em 1975 ampliou a preparação de padres e agentes pastorais. A criação da Diocese de Crato, em meados do século XX, aproximou o pastoreio da população e fortaleceu a ação missionária. A Igreja local também contribuiu para a construção de faculdades, hospitais, escolas e emissoras de rádio.

Padre Ibiapina e Padre Cícero são figuras centrais na fé do Cariri. O primeiro deixou um legado de acolhimento e ação social, enquanto o segundo fortaleceu a fé dos mais pobres, transformando Juazeiro do Norte em um centro de devoção, peregrinação e identidade comunitária. As primeiras romarias à Juazeiro do Norte surgiram desse encontro entre necessidade e espiritualidade. O Cariri também abriga a devoção a santos populares, como Maria de Bil, Benigna, Francisca e Rufina.

Fé e cultura são inseparáveis no Cariri. A religiosidade orienta modos de viver, interpretar o mundo, celebrar e construir laços comunitários. A religiosidade local também é híbrida, incorporando práticas indígenas e afrodescendentes. Festas de padroeiro, procissões, celebrações e romarias perpetuam a tradição religiosa. A visita ao Horto do Padre Cícero, a Romaria do Caldeirão do Beato José Lourenço e a visita ao local do martírio de Benigna são práticas marcantes. Monumentos dedicados a figuras religiosas espalhados pelo Cariri expressam esse enraizamento e formam um roteiro da fé. O desafio, agora, é atualizar a missão sem perder o carisma romeiro.

Fonte: g1.globo.com

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