
A Câmara Municipal de Icapuí está no centro de uma nova crise política. Cinco vereadores — João Paulo do Sousa Rebouças, Francisco Hélio Fernandes Rebouças, Cláudio Lucas Alves Rebouças, Thiago Victor Sousa Rebouças e Maria do Socorro de Melo — protocolaram, nesta semana, um requerimento solicitando a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar despesas realizadas pela Secretaria Municipal de Saúde.
Entre as principais suspeitas apresentadas estão compras consideradas incompatíveis com a realidade do município. Um dos pontos mais graves é a aquisição de 53 mil filmes de raio-X, adquiridos entre março e novembro de 2025 pelo valor de R$ 162.330,65, além de 864,5 litros de fixador radiológico e 871 litros de revelador, no total de R$ 22.324,96.
As compras chamaram atenção porque o único aparelho de raio-X da cidade está quebrado, impossibilitando o uso de qualquer um desses materiais — que, segundo os parlamentares, não foram encontrados no estoque do hospital municipal.
O levantamento apresentado pelos vereadores também revela números que levantam dúvidas sobre a proporcionalidade das aquisições para um município com cerca de 21 mil habitantes. Entre eles:
1.803.600 unidades de luvas descartáveis, somando R$ 349.111,00; 55.140 unidades de cloreto de sódio (soro fisiológico), totalizando R$ 300.511,60; 551 quilômetros de gazes e ataduras, adquiridos por R$ 194.953,70; além de outros itens médico-hospitalares.
Todos os dados citados no requerimento foram coletados exclusivamente em fontes públicas, como o Portal da Transparência e registros oficiais de liquidações da Secretaria Municipal de Saúde.
Os vereadores afirmam que os números apontam para um aumento expressivo e atípico nos gastos públicos, além de compras em volumes considerados incompatíveis com a demanda e a operação da rede de saúde do município. O relatório denuncia ainda a ausência de transparência na divulgação de contratos, notas fiscais e documentos relacionados aos processos licitatórios.
Para os parlamentares, a abertura da CPI é essencial para garantir uma investigação rigorosa, assegurar transparência administrativa e proteger o patrimônio público. O requerimento aguarda agora a tramitação regimental para análise de admissibilidade e eventual instalação da comissão.
A denúncia também foi encaminhada ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), que já iniciou investigação em caráter sigiloso.
