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Saúde mental dos agentes penitenciários: Um em dez com depressão

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma recente pesquisa nacional revela um cenário preocupante para a saúde mental dos agentes penitenciários brasileiros. O levantamento, que analisou dados de 22,7 mil profissionais da área entre 2022 e 2024, indicou que 10,7% dos agentes penitenciários receberam diagnóstico de depressão. Além da depressão, outros transtornos psicológicos também afetam a categoria de forma significativa. Vinte e seis por cento dos entrevistados relataram ter transtorno de ansiedade, enquanto 4,2% apresentaram quadros de transtorno do pânico. Esses dados sublinham a urgência de uma atenção especializada para uma categoria que desempenha um papel estratégico, mas muitas vezes invisibilizado, na segurança pública do país. Os resultados apontam para a necessidade premente de políticas estruturadas de cuidado e suporte psicológico para esses profissionais.

A pesquisa e seus alarmantes resultados sobre saúde mental

O panorama da saúde mental entre os agentes penitenciários
A pesquisa “Cenários da Saúde Física e Mental dos Servidores do Sistema Penitenciário Brasileiro” trouxe à tona uma realidade delicada enfrentada pelos agentes penitenciários. O número de 10,7% de diagnósticos de depressão é um indicativo claro do impacto das condições de trabalho na saúde mental desses profissionais. A prevalência de transtornos de ansiedade (20,6%) e transtorno de pânico (4,2%) complementa o quadro, evidenciando um ambiente de alta pressão e estresse crônico.

A natureza do trabalho no sistema prisional, caracterizada por ritmo intenso, exposição constante a situações de risco, violência e demandas emocionais e físicas extremas, é um fator determinante para esses índices. A sobrecarga de trabalho, a falta de recursos adequados e a convivência diária com cenários complexos contribuem para o desgaste psicológico acumulado. Os organizadores do estudo reconhecem que esses desafios são inerentes à profissão, mas alertam que a ausência de mecanismos de suporte adequados agrava a situação, transformando o ambiente de trabalho em um catalisador de doenças mentais. A relevância estratégica desses mais de 100 mil servidores para a segurança pública contrasta com a invisibilidade e, por vezes, negligência das suas necessidades de saúde e bem-estar.

Percepção do trabalho e doenças físicas

Reconhecimento e satisfação profissional versus desafios
Apesar dos desafios relacionados à saúde mental, o estudo também revelou um dado interessante sobre a percepção do trabalho pelos agentes penitenciários. Cerca de 15,9% dos servidores se declararam “muito satisfeitos” com suas atividades, e uma parcela ainda maior, 59,3%, se disse “satisfeita”. Esse índice de satisfação, em um contexto tão adverso, pode refletir o senso de dever, a importância da função ou a resiliência individual de muitos profissionais.

Contudo, essa satisfação coexiste com uma percepção marcante de falta de reconhecimento. A maioria dos agentes penitenciários, 50,7%, entende que a sociedade raramente reconhece o valor de seu trabalho, enquanto 33% afirmaram “nunca” se sentir reconhecidos. A disparidade entre a satisfação individual com a execução do trabalho e a falta de reconhecimento externo sugere uma desconexão preocupante. Essa ausência de valorização social e profissional pode agravar o estresse e a sensação de isolamento, contribuindo indiretamente para os problemas de saúde mental, mesmo entre aqueles que se sentem realizados em suas funções.

Problemas de saúde física que afetam a categoria
Além dos transtornos mentais, a pesquisa detalhou uma série de doenças físicas que impactam a saúde dos agentes penitenciários. A obesidade afeta 12,5% dos servidores, enquanto a hipertensão é uma realidade para 18,1% deles. As doenças ortopédicas também são prevalentes, atingindo 12,3% da categoria. Esses números ressaltam que as condições de trabalho e o estresse da profissão não se manifestam apenas em problemas psicológicos, mas também em condições físicas que comprometem a qualidade de vida e a capacidade laboral desses profissionais.

O sedentarismo, a alimentação inadequada devido aos horários e condições de trabalho, e a constante exposição a situações de tensão contribuem para a incidência dessas doenças. A junção de desafios mentais e físicos representa uma carga pesada para os agentes, que muitas vezes precisam lidar com a própria saúde debilitada enquanto garantem a segurança e a ordem no sistema prisional.

A urgência de políticas de cuidado e valorização
Diante dos alarmantes resultados apresentados pela pesquisa, a necessidade de políticas estruturadas de cuidado para os agentes penitenciários tornou-se inegável. Profissionais da área apontam a urgência em direcionar recursos e esforços para atender às demandas desses servidores, cujas necessidades foram, por muito tempo, ignoradas. O compromisso é aprimorar as ações já existentes, ampliando o cuidado e garantindo que cada servidor tenha as condições necessárias para exercer sua função com dignidade e qualidade. É crucial implementar políticas de cuidado que impactem diretamente o bem-estar, a valorização e o desempenho desses profissionais.

Esses profissionais são a base de uma estrutura essencial para a segurança pública. A negligência de sua saúde não apenas afeta o indivíduo, mas compromete a eficácia e a humanidade de todo o sistema penitenciário. É fundamental que as medidas de apoio psicológico, médico e de valorização profissional sejam integradas e contínuas, garantindo que o cuidado com o agente penitenciário seja uma prioridade.

Perguntas frequentes

1. Qual a principal descoberta sobre a saúde mental dos agentes penitenciários?
A pesquisa revelou que 10,7% dos agentes penitenciários receberam diagnóstico de depressão, com 20,6% relatando transtorno de ansiedade e 4,2% com transtorno de pânico.

2. Quais outras condições de saúde física afetam esses profissionais?
Além dos problemas de saúde mental, os agentes penitenciários também sofrem com doenças físicas como obesidade (12,5%), hipertensão (18,1%) e doenças ortopédicas (12,3%).

3. Qual é a percepção dos agentes sobre o reconhecimento do seu trabalho?
Embora 75,2% dos agentes se digam satisfeitos ou muito satisfeitos com o trabalho, 50,7% acreditam que a sociedade raramente reconhece o valor de sua função, e 33% nunca se sentem reconhecidos.

4. Quais são as medidas propostas para enfrentar esses desafios?
Profissionais do setor defendem a urgência de políticas estruturadas de cuidado, com aprimoramento das ações existentes e ampliação do suporte para garantir bem-estar, valorização e desempenho dos servidores.

Conheça mais sobre as iniciativas e apoie a valorização dos profissionais de segurança pública para um sistema mais justo e humano.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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