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Falta de luz persiste em SP: 66 mil ainda sem energia após

© Paulo Pinto/Agência Brasil

A Grande São Paulo enfrenta um cenário de persistente falta de luz que afeta milhares de residências e comércios, quatro dias após uma severa ventania causada pela chegada de um ciclone extratropical. Neste domingo, mais de 66 mil clientes da concessionária Enel continuam sem acesso à energia elétrica, evidenciando uma demora na recuperação que tem gerado intensa insatisfação. A situação, que já impactou cerca de 2,2 milhões de consumidores no pico da crise, na última quarta-feira, agora coloca a empresa sob forte pressão judicial e governamental, levantando questões sobre a qualidade dos serviços e a capacidade de resposta a eventos climáticos extremos. A comunidade exige clareza e agilidade na resolução do problema que afeta o cotidiano de tantos paulistanos.

O cenário da crise energética e seus impactos

A metrópole paulista e seus municípios vizinhos foram surpreendidos na última quarta-feira por um ciclone extratropical que trouxe ventos intensos, atingindo velocidades de até 98 km/h em algumas áreas. A força desses ventos provocou uma série de estragos, sendo o mais significativo a queda de mais de 300 árvores. Muitas delas desabaram diretamente sobre a infraestrutura de distribuição de energia elétrica, causando a destruição de cabos e postes. O resultado foi um apagão em larga escala que, em seu auge, deixou aproximadamente 2,2 milhões de clientes sem energia, mergulhando uma vasta área da Grande São Paulo na escuridão e no caos.

Impacto inicial e a persistência do problema

Quatro dias após o evento climático, a recuperação do serviço tem sido mais lenta do que o esperado. Embora o número de clientes afetados tenha diminuído consideravelmente desde o pico, a persistência de mais de 66 mil unidades consumidoras sem energia elétrica neste domingo revela a complexidade e a gravidade dos danos, ou a insuficiência da resposta. Esse montante representa aproximadamente 0,78% do total de consumidores atendidos pela concessionária na região, um percentual que se traduz em um grande número de famílias e empresas enfrentando transtornos prolongados. A falta de energia impacta desde a conservação de alimentos e medicamentos, que necessitam de refrigeração, até o trabalho remoto, a segurança noturna e a operação de sistemas essenciais como bombas d’água em edifícios, gerando desconforto, prejuízos financeiros e uma sensação de desamparo entre os cidadãos. Escolas e hospitais também podem ser afetados, dependendo de geradores para manter suas atividades.

Resposta da concessionária e os desafios enfrentados

Em meio à crescente pressão, a concessionária divulgou comunicados afirmando que suas equipes continuam mobilizadas nas ruas, trabalhando ininterruptamente para restabelecer o serviço. No entanto, a promessa feita no dia anterior de que o fornecimento seria normalizado até este domingo não se concretizou para todos os afetados. Os desafios para a restauração são imensos, incluindo a complexidade de remover árvores caídas de cima da rede, a substituição de postes danificados e a reparação de extensos trechos de cabos rompidos. Além disso, a segurança das equipes durante os reparos e a necessidade de isolar áreas de risco são fatores que podem influenciar a velocidade do processo. A empresa precisa não apenas corrigir os danos, mas também garantir que a infraestrutura futura seja mais resiliente a eventos climáticos cada vez mais frequentes e severos.

Pressão institucional e as consequências para a concessionária

A demora na solução do problema não passou despercebida pelas autoridades, que intensificaram a fiscalização e as cobranças sobre a concessionária. A insatisfação popular ecoou nos gabinetes governamentais e nos tribunais, resultando em medidas enérgicas para acelerar a normalização do serviço e responsabilizar a empresa.

Intervenção judicial e prazos urgentes

Diante da prolongada interrupção e dos transtornos causados à população, a Justiça de São Paulo agiu no sábado, concedendo um prazo de apenas 12 horas para a concessionária restabelecer o fornecimento de energia elétrica na cidade de São Paulo e nos municípios vizinhos afetados. A decisão judicial veio acompanhada de uma severa penalidade: o descumprimento do prazo implicaria em uma multa diária de R$ 200 mil por hora. Essa medida drástica sublinha a urgência da situação e a insatisfação do sistema judiciário com a performance da empresa. A imposição de multas tão elevadas tem como objetivo pressionar a concessionária a dedicar todos os recursos necessários para a rápida resolução da crise, mitigando os prejuízos e o sofrimento da população. A intervenção judicial reflete a percepção de que a resposta da empresa não estava à altura da gravidade do ocorrido.

Alerta do governo e risco de perda da concessão

Neste domingo, a pressão sobre a concessionária escalou ainda mais com a manifestação do Ministério de Minas e Energia. Em nota oficial, o ministério alertou que a empresa poderá perder a concessão para operar no estado de São Paulo caso não cumpra integralmente os índices de qualidade e as obrigações contratuais previstas. A perda de uma concessão é a sanção máxima que uma empresa de serviços públicos pode sofrer, sinalizando a seriedade da ameaça. Essa advertência ministerial não apenas exige uma aceleração na restauração do serviço, mas também serve como um chamado à concessionária para que reavalie suas estratégias de manutenção, investimento em infraestrutura e planos de contingência para emergências. A qualidade do serviço prestado à população é um pilar fundamental do contrato de concessão, e falhas repetidas ou de grande magnitude podem, de fato, levar à sua rescisão, com graves consequências para a empresa e para o futuro do fornecimento de energia na região.

Os desafios da restauração e a fiscalização futura

A crise da falta de energia em São Paulo transcende a mera interrupção do serviço, tornando-se um reflexo da vulnerabilidade da infraestrutura urbana frente a eventos climáticos extremos e um teste para a capacidade de resposta das concessionárias. A restauração completa da energia elétrica é um processo complexo que demanda não apenas recursos humanos e materiais, mas também uma coordenação eficiente. No entanto, a demora prolongada e a insatisfação de milhares de clientes acendem um alerta para a necessidade de investimentos contínuos em modernização e resiliência das redes de distribuição. A fiscalização rigorosa por parte das agências reguladoras e do governo torna-se crucial para garantir que as empresas cumpram suas obrigações contratuais e invistam na prevenção e mitigação de futuros incidentes, protegendo assim o direito do consumidor a um serviço essencial e de qualidade. A expectativa é que este evento sirva de catalisador para aprimoramento dos planos de contingência e para uma maior accountability por parte das empresas.

Perguntas frequentes sobre a falta de energia em São Paulo

Quantos clientes ainda estão sem energia na Grande São Paulo?
Neste domingo, mais de 66 mil clientes na Grande São Paulo ainda permaneciam sem energia elétrica, quatro dias após a ventania.

Qual foi a causa da interrupção do fornecimento?
A interrupção foi causada por uma ventania severa, com rajadas de até 98 km/h, provocada pela chegada de um ciclone extratropical, que derrubou mais de 300 árvores sobre a rede elétrica, danificando cabos e postes.

Quais medidas foram tomadas contra a concessionária?
A Justiça de São Paulo impôs um prazo de 12 horas para a religar a energia, sob pena de multa de R$ 200 mil por hora. Além disso, o Ministério de Minas e Energia alertou que a empresa pode perder a concessão se não cumprir as metas de qualidade e obrigações contratuais.

A concessionária pode realmente perder a concessão?
Sim, o Ministério de Minas e Energia indicou que a perda da concessão é uma possibilidade caso a empresa não demonstre integral cumprimento dos índices de qualidade e das obrigações contratuais estabelecidas para a operação no estado de São Paulo.

Para mais informações sobre os direitos dos consumidores afetados e as últimas atualizações sobre a situação energética na Grande São Paulo, mantenha-se conectado aos canais oficiais e à imprensa local.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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