
Um novo e abrangente consenso científico, reunindo décadas de pesquisa, desafia a percepção de que certas formas de consumo de nicotina seriam menos prejudiciais. Publicado recentemente, este estudo internacional esclarece que a nicotina, independentemente de ser inalada via vapor, consumida em sachês orais ou através de tabaco aquecido, representa uma ameaça direta e significativa ao coração e aos vasos sanguíneos. A revisão desmascara a ideia de “alternativas seguras”, consolidando a visão de que a substância é uma toxina cardiovascular em qualquer de suas manifestações. Especialistas de diversos centros de pesquisa europeus e americanos colaboraram para este trabalho, que busca reforçar a urgência de uma nova abordagem pública sobre o uso da nicotina.
A verdade sobre a nicotina e o sistema cardiovascular
Décadas de investigação científica culminaram em um consenso inequívoco: a nicotina é uma toxina cardiovascular direta, independentemente do método de entrega. Esta conclusão derruba a crença difundida de que produtos como cigarros eletrônicos, tabaco aquecido ou sachês de nicotina seriam opções “mais seguras” em comparação com os cigarros tradicionais. O corpo de evidências analisado por especialistas de diversas instituições revela que os efeitos nocivos da nicotina persistem em todas as suas formas de consumo, impactando diretamente a saúde do coração e do sistema circulatório.
Efeitos fisiológicos diretos
Os pesquisadores detalham como a nicotina atua no organismo para comprometer a saúde cardiovascular. A substância ativa o sistema nervoso simpático, responsável pela resposta de “luta ou fuga”, levando a um aumento imediato da pressão arterial. Além disso, provoca o enrijecimento das artérias, tornando-as menos elásticas e mais propensas a danos ao longo do tempo. Outro efeito crucial é a disfunção do endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos. Essa disfunção é considerada um marcador precoce e preditivo de doenças cardiovasculares, indicando que o impacto da nicotina vai além de meros sintomas passageiros, estabelecendo as bases para problemas graves. Esses efeitos são consistentes em diversos produtos, incluindo cigarros eletrônicos, tabaco aquecido, narguilé e bolsas de nicotina.
A nova onda de dependência: jovens e exposição passiva
A crescente popularidade de produtos de nicotina, especialmente entre as novas gerações, levanta sérias preocupações de saúde pública. A ideia de que esses dispositivos seriam ferramentas de redução de danos é contestada pelas evidências, que apontam para uma nova epidemia de dependência de nicotina com potenciais consequências de longo prazo para a saúde cardiovascular dos jovens. O problema se agrava ao considerar os riscos da exposição passiva, que estendem os perigos da nicotina para além dos usuários diretos.
O impacto em adolescentes e adultos jovens
Dados alarmantes indicam que uma parcela significativa dos jovens que utilizam cigarros eletrônicos, até 75%, nunca havia fumado cigarros tradicionais antes. Este dado desafia diretamente a narrativa de que os vapes e sachês de nicotina serviriam primariamente como uma alternativa para fumantes que buscam parar. Pelo contrário, sabores atrativos, campanhas de marketing agressivas em redes sociais e lacunas regulatórias têm se mostrado eficazes em capturar uma nova geração de dependentes. Essa tendência cria um cenário preocupante, com a perspectiva de milhões de jovens enfrentando problemas cardiovasculares relacionados à nicotina ao longo de suas vidas, sobrecarregando os sistemas de saúde pública.
Riscos da exposição indireta
Os perigos da nicotina não se restringem aos usuários diretos. A exposição passiva à fumaça e aos aerossóis de produtos de nicotina, como cigarros eletrônicos e narguilés, também representa um risco significativo. Estudos mostram que mesmo exposições breves podem induzir alterações vasculares mensuráveis em não usuários. Grupos vulneráveis, como crianças, mulheres grávidas e indivíduos com condições cardíacas preexistentes, são particularmente suscetíveis a esses efeitos nocivos. Diante dessas evidências, especialistas defendem a ampliação das leis antifumo existentes para incluir explicitamente cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e narguilé, protegendo assim a saúde pública de forma mais abrangente.
Ação regulatória urgente para a saúde pública
O conjunto das evidências científicas não deixa margem para dúvidas: não existe produto com nicotina que seja seguro para o sistema cardiovascular. Embora os efeitos de longo prazo de alguns produtos mais recentes ainda estejam sob investigação e o uso combinado de diferentes formas de nicotina possa complexificar as análises, o consenso é claro. Diante deste cenário, pesquisadores e profissionais de saúde pública clamam por uma ação regulatória urgente e robusta em escala global. Medidas propostas incluem o banimento de sabores atraentes, a imposição de tributação proporcional ao teor de nicotina, a implementação de embalagens padronizadas, a restrição rigorosa da publicidade digital e a integração da prevenção ao uso de nicotina nas políticas de saúde cardiovascular. Sem tais intervenções, o mundo corre o sério risco de testemunhar a maior onda de dependência de nicotina desde a década de 1950, com impactos devastadores na saúde pública e nos sistemas de saúde.
Perguntas frequentes sobre a nicotina e a saúde cardiovascular
A nicotina é segura em cigarros eletrônicos ou tabaco aquecido?
Não. As evidências científicas atuais demonstram que a nicotina é tóxica para o coração e os vasos sanguíneos em todas as suas formas de consumo, incluindo cigarros eletrônicos e produtos de tabaco aquecido. Não há versões “mais seguras” desses produtos em relação aos riscos cardiovasculares.
Como a nicotina afeta o coração e os vasos sanguíneos?
A nicotina ativa o sistema nervoso simpático, elevando a pressão arterial e aumentando a rigidez das artérias. Ela também causa disfunção do endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos, que é um indicador precoce de doenças cardiovasculares.
Jovens que usam vape estão em risco mesmo sem ter fumado cigarros tradicionais?
Sim. Uma grande parte dos jovens que utilizam cigarros eletrônicos nunca havia fumado antes. Eles estão desenvolvendo uma nova dependência de nicotina, que pode levar a problemas cardiovasculares significativos no futuro, além dos riscos da exposição passiva para a saúde geral.
Para proteger sua saúde e a de seus entes queridos, considere todas as formas de nicotina como um risco significativo. Busque apoio para parar de usar produtos de nicotina e informe-se sobre as políticas de saúde pública que visam proteger a comunidade dessa ameaça crescente.
Fonte: https://g1.globo.com
