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Bexiga natatória de pescada-amarela brasileira: A iguaria que conquistou A Ásia

Uso da bexiga natatória em sopas está associado ao fortalecimento da pele, dos ossos e das arti...

No cenário global do comércio de alimentos, histórias de sucesso muitas vezes emergem de fontes inesperadas. Uma dessas narrativas fascinantes envolve a bexiga natatória da pescada-amarela, um subproduto antes pouco valorizado no Brasil, mas que se transformou em um tesouro gastronômico e financeiro no continente asiático. Conhecido popularmente como “grude”, esse componente gelatinoso do peixe tem revolucionado a economia de diversas comunidades pesqueiras brasileiras, gerando uma demanda expressiva e um alto valor agregado. Longe de ser um mero descarte, o grude brasileiro alcançou o status de iguaria, desejado por sua textura única e por suas supostas propriedades nutricionais e medicinais, consolidando um nicho de mercado lucrativo e surpreendente que conecta as águas tropicais do Brasil aos paladares exigentes da Ásia.

O que é a bexiga natatória e por que é tão cobiçada?

Da função biológica à delicadeza culinária
A bexiga natatória é um órgão interno presente na maioria dos peixes ósseos, responsável por controlar a flutuabilidade do animal na água. Sua composição é predominantemente de colágeno e proteínas, conferindo-lhe uma textura gelatinosa e firme quando processada. No Brasil, essa parte da pescada-amarela (Cynoscion acoupa) é tradicionalmente chamada de “grude”, um termo que evoca sua capacidade de aderência e sua consistência. Por muitos anos, no contexto da pesca brasileira, o grude era considerado um subproduto de baixo valor, frequentemente descartado ou comercializado por preços irrisórios, enquanto a carne do peixe era o foco principal da comercialização.

Contudo, a realidade é drasticamente diferente em muitas culturas asiáticas, onde a bexiga natatória de peixes como a pescada-amarela é altamente valorizada. Em países como China, Hong Kong, Singapura e Vietnã, ela é vista não apenas como uma iguaria culinária de luxo, mas também como um ingrediente com supostas propriedades medicinais e rejuvenescedoras, devido ao seu alto teor de colágeno. É um componente essencial em sopas sofisticadas, guisados e pratos especiais, frequentemente servida em banquetes e celebrações importantes. Seu sabor neutro e sua textura peculiar, que absorve bem os temperos, a tornam versátil na culinária, enquanto sua reputação de “ginseng do mar” ou “ouro branco” eleva seu status e, consequentemente, seu preço no mercado.

A ascensão brasileira no mercado global do grude

Cadeia de valor: da captura à exportação
A demanda asiática por grude transformou radicalmente a indústria pesqueira brasileira. A pescada-amarela, abundante nas águas costeiras do Norte e Nordeste do Brasil, como nos estados do Pará e Maranhão, tornou-se uma fonte valiosa não apenas por sua carne, mas especialmente por sua bexiga natatória. Pescadores que antes ignoravam ou subestimavam o grude, passaram a extraí-lo cuidadosamente, limpá-lo e secá-lo, seguindo rigorosos padrões para atender às exigências do mercado exportador. O processo de preparação é crucial: após a extração, as bexigas são lavadas meticulosamente, muitas vezes branqueadas e, em seguida, secas ao sol ou em estufas, até atingirem uma consistência rígida e translúcida. O peso e a integridade da peça seca são determinantes para o seu valor.

Essa cadeia de valor envolve desde pequenos pescadores artesanais até grandes empresas de processamento e exportação. O preço pago pelo grude seco pode ser exponencialmente maior do que o da carne do peixe, incentivando a profissionalização do processo de extração e conservação. Exportadores brasileiros estabeleceram rotas comerciais diretas com países asiáticos, consolidando o Brasil como um dos principais fornecedores globais dessa iguaria. Essa nova fonte de receita tem tido um impacto significativo nas economias locais, gerando empregos e renda em comunidades costeiras que antes dependiam exclusivamente da venda da carne do peixe. A valorização do grude demonstra como um subproduto pode se tornar o motor de um segmento econômico, impulsionando o desenvolvimento regional e a inserção do Brasil em nichos de mercado internacionais de alto valor.

Impactos e desafios na indústria do grude

Sustentabilidade, preço e futuro do mercado
A alta demanda e o valor elevado do grude, apesar de trazerem benefícios econômicos, também levantam importantes questões sobre a sustentabilidade da pesca da pescada-amarela. A exploração focada na bexiga natatória pode levar a um aumento da pressão de pesca sobre a espécie, exigindo um monitoramento rigoroso e a implementação de práticas de pesca responsável. A gestão de estoques pesqueiros e a certificação de origem tornam-se essenciais para garantir que a procura pelo grude não comprometa a biodiversidade marinha e a perenidade da própria atividade pesqueira. Iniciativas de conscientização e programas de manejo sustentável são cruciais para equilibrar os ganhos econômicos com a conservação ambiental.

Além das preocupações ambientais, há o desafio da agregação de valor dentro do próprio Brasil. Atualmente, grande parte do grude é exportada em sua forma semi-processada (seca). Existe um potencial inexplorado para o desenvolvimento de produtos mais elaborados e embalados no país, que poderiam capturar uma fatia maior do valor final do produto. Isso envolveria investimentos em tecnologia de processamento, pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, e a construção de marcas brasileiras no mercado asiático. O grude representa, assim, um campo fértil para a inovação e o empreendedorismo, onde a exploração sustentável e a valorização interna podem maximizar os benefícios para a economia nacional. O futuro do mercado do grude depende de uma abordagem equilibrada que considere tanto as oportunidades de lucro quanto as responsabilidades ambientais e sociais, pavimentando o caminho para um crescimento duradouro.

Perguntas frequentes sobre o grude

1. O que é exatamente a bexiga natatória da pescada-amarela?
É um órgão interno presente na pescada-amarela, composto principalmente de colágeno, que ajuda o peixe a controlar sua flutuabilidade. Após ser extraída e seca, é popularmente conhecida como “grude” no Brasil.

2. Quais são os principais usos culinários e culturais do grude na Ásia?
Na Ásia, especialmente em países como China e Hong Kong, o grude é uma iguaria de luxo, utilizada em sopas, ensopados e pratos festivos. É valorizado por sua textura gelatinosa e pelas supostas propriedades nutricionais e medicinais, como o alto teor de colágeno.

3. A pesca da pescada-amarela para o grude é sustentável?
A sustentabilidade é uma preocupação crescente. O aumento da demanda pelo grude pode intensificar a pressão de pesca sobre a pescada-amarela. É fundamental a implementação de práticas de pesca responsável, monitoramento de estoques e programas de manejo para garantir a conservação da espécie.

Para aprofundar seu conhecimento sobre as riquezas do litoral brasileiro e o impacto econômico de seus produtos, explore mais artigos em nossa seção de economia e comércio internacional.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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