
Um incêndio de grandes proporções atingiu a sucata Chico Alves, localizada no bairro Jacarecanga, em Fortaleza, na noite da última quarta-feira (24), desencadeando uma complexa operação de combate e rescaldo que se estendeu por mais de 30 horas. A devastação da propriedade resultou não apenas em perdas materiais significativas, mas também em um profundo impacto na comunidade local. Quatro pessoas ficaram feridas durante o incidente, e dezenas de moradores do entorno tiveram que deixar suas residências, algumas das quais foram interditadas. As equipes de emergência, lideradas pelo Corpo de Bombeiros, permanecem mobilizadas, monitorando pequenos focos de fogo e avaliando os danos estruturais, enquanto a Defesa Civil realiza vistorias em busca de segurança para as famílias afetadas.
A devastação na sucata Chico Alves
O cenário de destruição na sucata Chico Alves, em Fortaleza, é o reflexo de um incêndio que mobilizou um vasto contingente de equipes de segurança e emergência. Pequenos focos de incêndio persistiam ativos mesmo na manhã da sexta-feira (26), mais de 30 horas após o início das chamas. A intensidade do fogo foi tal que a estrutura da sucata foi completamente comprometida, exigindo um trabalho contínuo e exaustivo para garantir a extinção total e a segurança da área. A ocorrência ressalta os perigos inerentes a incêndios em locais com grande concentração de materiais inflamáveis e de difícil acesso para as equipes de combate, como o metal e plásticos acumulados, que liberam fumaça tóxica e calor intenso.
O início do fogo e a resposta inicial
O alerta para o incêndio na sucata Chico Alves foi emitido por volta das 23h30 de quarta-feira (24), através da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (CIOPS). Testemunhas relataram que as chamas tiveram início após adolescentes soltarem artefatos explosivos caseiros, conhecidos como “rasga-lata”, nas proximidades do local. Embora esta informação não tenha sido oficialmente confirmada pelo Corpo de Bombeiros, ela é um dos eixos da investigação em curso para determinar a causa. A sucata estava fechada no momento em que o fogo começou, o que dificultou a detecção precoce e a contenção inicial. As primeiras equipes a chegar ao local se depararam com um incêndio já de grandes proporções, com labaredas visíveis de diversos pontos do bairro de Jacarecanga, exigindo uma resposta imediata e coordenada para proteger as áreas residenciais adjacentes.
Esforços de combate e recursos mobilizados
Desde o acionamento, a operação de combate ao incêndio na sucata tem sido de uma complexidade notável, exigindo recursos consideráveis e um trabalho incansável das equipes. Até a manhã de sexta-feira (26), o Corpo de Bombeiros havia utilizado impressionantes 450 mil litros de água, um volume que ilustra a dimensão do desafio enfrentado para controlar as chamas em um material de difícil combustão. Para a execução do trabalho, foram empregadas 19 viaturas e cerca de 50 agentes, que atuaram incessantemente com o apoio de voluntários. A operação de rescaldo, que consiste na fase de eliminação de brasas e focos residuais para evitar reacendimentos, estendeu-se por mais de 30 horas, demonstrando a tenacidade do material e a profundidade da combustão. Além dos bombeiros, a ação contou com uma atuação integrada de diversos órgãos, incluindo a Polícia Militar, a Defesa Civil de Fortaleza, a Autarquia Municipal de Trânsito (AMT) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), garantindo suporte em todas as frentes necessárias, desde a segurança do perímetro até o atendimento médico e a gestão do tráfego.
Impacto na comunidade e consequências humanas
Além da destruição material, o incêndio na sucata Chico Alves teve um impacto humano significativo, afetando diretamente moradores e equipes de resposta. A proximidade da sucata com áreas residenciais transformou o incidente em uma emergência comunitária, com evacuações e feridos, evidenciando a vulnerabilidade das populações em situações de desastre urbano. A fumaça tóxica e o calor intenso representaram riscos adicionais, exigindo uma resposta rápida não apenas no combate ao fogo, mas também na proteção da saúde pública e na assistência aos desalojados.
Moradores desalojados e residências interditadas
A segurança dos moradores foi uma das maiores preocupações desde o início do incidente. A fumaça densa e o risco de desabamento ou alastramento das chamas forçaram a evacuação de diversas residências nas imediações da sucata. Até o momento, pelo menos duas casas e um bloco de apartamentos foram interditados pela Defesa Civil de Fortaleza, após a avaliação inicial dos riscos estruturais. Os moradores desalojados enfrentaram a difícil situação de precisar encontrar abrigo às pressas, recorrendo à ajuda de amigos, familiares ou alugando estadias em pousadas. A incerteza sobre o retorno aos seus lares e a extensão dos danos às suas propriedades adiciona uma camada de angústia a uma situação já caótica e de perdas inesperadas. A Defesa Civil segue com o trabalho de vistoria na manhã de sexta-feira (26), buscando identificar outras áreas de risco e garantir a segurança dos que residem no entorno, antes de qualquer liberação para retorno.
O balanço dos feridos
O Corpo de Bombeiros confirmou que quatro pessoas ficaram feridas durante o incêndio, embora nenhuma delas em estado grave, o que é um alívio diante da proporção do sinistro. Entre os feridos, dois eram bombeiros militares, que exerciam a linha de frente do combate ao fogo. Um deles sofreu exaustão devido ao esforço físico prolongado em condições extremas de calor e fumaça, e outro apresentou queimadura de segundo grau em uma das mãos, um risco inerente à profissão que exige constante preparo e atenção. Além dos profissionais, um adolescente civil sofreu um ferimento leve na região temporal (área lateral da face), enquanto uma mulher teve um mal súbito, sendo prontamente encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cristo Redentor para avaliação médica e acompanhamento. A rápida resposta do SAMU foi crucial para o atendimento e transporte dos feridos, garantindo que recebessem os cuidados necessários de forma ágil e eficiente, minimizando complicações.
Investigação e ações de apoio
Com a fase mais crítica do combate ao fogo sob controle, a atenção se volta agora para a investigação das causas do incêndio e para a recuperação da área e da comunidade afetada. A complexidade do incidente exige uma análise minuciosa por parte das autoridades competentes, ao mesmo tempo em que medidas de apoio e segurança são implementadas para mitigar os impactos a longo prazo e evitar novas ocorrências.
Perícia para determinar a causa
A Secretaria da Segurança Pública do Estado do Ceará informou que a causa exata do incêndio só poderá ser oficialmente divulgada após a conclusão do laudo da Perícia Forense. Este processo é fundamental para desvendar as circunstâncias que levaram ao sinistro e para confirmar ou refutar as informações preliminares, como a possível origem a partir de artefatos explosivos caseiros soltos por adolescentes. A Polícia Civil do Estado do Ceará é a responsável por apurar o caso, conduzindo as investigações para identificar os responsáveis, caso a ação humana seja confirmada como o fator desencadeante do desastre. A precisão do laudo pericial é crucial para direcionar futuras medidas preventivas, evitar a repetição de incidentes semelhantes e para eventuais responsabilizações legais.
Vistorias da Defesa Civil e apoio da Enel
A Defesa Civil de Fortaleza iniciou, na manhã de sexta-feira (26), um minucioso trabalho de vistoria em todas as residências do entorno da sucata. O objetivo é avaliar a integridade estrutural das edificações, identificar possíveis danos causados pelo calor intenso ou pela fumaça, e determinar quais imóveis estão seguros para o retorno dos moradores. As informações oficiais sobre o resultado dessas vistorias ainda não foram divulgadas, pois o trabalho segue em andamento, priorizando a segurança da população. Paralelamente, a Enel Distribuição Ceará mantém equipes de prontidão desde a noite do incêndio para acompanhar o caso e prestar apoio às operações de emergência. A empresa esclareceu que, por medidas de segurança e para evitar riscos adicionais, foi necessário aguardar a autorização do Corpo de Bombeiros para realizar os reparos na rede elétrica e normalizar o fornecimento de energia para os clientes que já tiveram suas residências liberadas ou que não foram diretamente afetadas pela interdição, trabalhando em coordenação com os órgãos de segurança.
Conclusão
O incêndio na sucata Chico Alves representa um evento desafiador para Fortaleza, com consequências que se estendem da devastação material à interrupção da vida de dezenas de famílias. A pronta e integrada resposta das forças de segurança e dos órgãos de apoio foi fundamental para conter o avanço das chamas e minimizar o número de vítimas, demonstrando a capacidade de mobilização em situações de crise. Enquanto o trabalho de rescaldo e as vistorias prosseguem, a comunidade de Jacarecanga busca se reerguer, aguardando os resultados das investigações que determinarão as causas exatas do sinistro e permitirão um planejamento de recuperação mais assertivo. Este incidente serve como um alerta para a importância da segurança em locais com materiais combustíveis e para a necessidade de conscientização sobre os riscos de brincadeiras perigosas com fogos de artifício e artefatos caseiros. A recuperação será um processo gradual, mas a mobilização e o suporte contínuo às vítimas são essenciais para superar os desafios impostos por esta tragédia.
FAQ
Quais as causas prováveis do incêndio na sucata Chico Alves?
As causas exatas do incêndio ainda estão sob investigação. Testemunhas relataram que adolescentes teriam soltado artefatos explosivos caseiros (“rasga-lata”) nas proximidades da sucata, mas essa informação não foi confirmada oficialmente pelos bombeiros. A Polícia Civil do Ceará e a Perícia Forense estão apurando o caso para determinar a origem precisa do fogo.
Quantas pessoas ficaram feridas no incêndio?
Quatro pessoas ficaram feridas durante o incêndio na sucata Chico Alves. Entre elas, dois bombeiros militares (um com exaustão devido ao esforço e outro com queimadura de 2º grau na mão), um adolescente civil com ferimento leve na região temporal e uma mulher que teve mal súbito. Nenhuma das vítimas está em estado grave.
Quais as medidas tomadas para os moradores afetados pelo incêndio?
A Defesa Civil de Fortaleza interditou pelo menos duas casas e um bloco de apartamentos devido a riscos estruturais ou proximidade com o incêndio, forçando os moradores a buscarem abrigo temporário. A Defesa Civil está realizando vistorias nas residências do entorno para avaliar os danos e a segurança, enquanto a Enel aguarda liberação para realizar reparos na rede elétrica e restabelecer o fornecimento de energia nas áreas seguras.
Por quanto tempo as operações de rescaldo se estenderam na sucata?
As operações de rescaldo, que visam extinguir completamente os focos remanescentes e evitar novos focos de incêndio, se estenderam por mais de 30 horas após o início do sinistro, com equipes do Corpo de Bombeiros trabalhando continuamente para garantir a segurança total do local.
Mantenha-se informado sobre os desdobramentos deste e de outros acontecimentos em Fortaleza. Em caso de emergências ou para reportar situações de risco, ligue imediatamente para os serviços de segurança competentes.
Fonte: https://g1.globo.com
