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Produção de Soja na América do Sul Deve Alcançar Níveis Históricos

Soja sendo carregada em caminhão  • 17/02/2020REUTERS/Jorge Adorno

O panorama global para os grãos é caracterizado por uma oferta abundante, impulsionada especialmente pelo desempenho das nações sul-americanas. Essa análise foi apresentada pelo Itaú BBA, a unidade de agronegócio do banco Itaú, em seu boletim de janeiro, divulgado nesta sexta-feira (16). O relatório indica que dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgados recentemente reforçam uma tendência de baixa nas cotações internacionais.

Para a safra 2025/26, o USDA revisou para cima a estimativa de produção dos Estados Unidos em 200 mil toneladas, totalizando 116 milhões de toneladas. No entanto, as exportações foram novamente ajustadas para baixo, agora em 42,9 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 16,3% em relação à temporada anterior. Como consequência, os estoques finais dos Estados Unidos cresceram para 9,5 milhões de toneladas.

Embora os números dos Estados Unidos tenham mostrado um ajuste positivo, o foco do mercado está voltado para a América do Sul. O USDA aumentou a previsão de produção do Brasil em 3 milhões de toneladas, estimando um recorde de 178 milhões de toneladas para 2025/26. As exportações brasileiras também foram elevadas, passando de 112,5 milhões de toneladas em dezembro para 114 milhões em janeiro.

Na Argentina, o plantio já ultrapassou 90% da área prevista, conforme informações da Bolsa de Cereales. Apesar de um ritmo inferior à média histórica devido a chuvas excessivas em algumas regiões, a situação das lavouras é considerada positiva, com 35% em boas condições e 65% em estado excelente, superando os índices do ano anterior. As chuvas de janeiro serão cruciais para garantir o potencial de uma colheita abundante no país.

Além disso, o Paraguai também está se preparando para uma safra significativa, o que contribui para a expectativa de uma oferta elevada na América do Sul. A soma das produções expressivas no Brasil, Argentina e Paraguai projeta um volume recorde para a região em 2025/26.

Diante desse cenário, a confirmação de safras robustas na América do Sul deve intensificar a pressão negativa sobre os preços, mantendo o mercado atento ao desenvolvimento climático e à consolidação dos volumes produtivos nas próximas semanas.

Análise do Mercado de Milho

A perspectiva para o milho sugere uma tendência de baixa nas cotações a curto prazo, influenciada pela forte safra nos Estados Unidos. Conforme o Itaú BBA, a aquisição de fertilizantes no Brasil avança adequadamente em alguns estados, enquanto em outros há atrasos que geram incertezas sobre o plantio da próxima safra.

No relatório de janeiro, o USDA aumentou a produção de milho dos Estados Unidos para 432,4 milhões de toneladas, em comparação com 425,5 milhões do mês anterior. Esse incremento é resultado de uma produtividade média recorde de 11,7 toneladas por hectare. Os estoques finais nos Estados Unidos também avançaram 9,8%, alcançando 56,6 milhões de toneladas, consolidando-se como o terceiro maior da série.

O aumento na produção americana gera um equilíbrio maior no mercado global de oferta e demanda, elevando os estoques de passagem da safra 2025/26, mesmo que ainda inferiores ao da temporada anterior. Os números apresentados pelo USDA sinalizam um viés predominantemente baixista para o milho, com a confirmação de uma supersafra nos Estados Unidos e um aumento significativo nos estoques, o que pressiona os preços no curto prazo e demanda ajustes nas estratégias de proteção de margens por parte dos produtores e agroindústrias.

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