
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, declarou no último sábado (17) que as autoridades têm a responsabilidade de reprimir com firmeza os manifestantes, ao mesmo tempo em que responsabilizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas mortes resultantes da repressão às recentes manifestações.
“Não buscamos um conflito armado, mas não hesitaremos em punir os criminosos, tanto internos quanto externos”, afirmou Khamenei durante um evento religioso com seus apoiadores. O aiatolá ressaltou que a população iraniana deve ser firme contra os insurgentes, assim como o foi em revoltas anteriores.
Contexto dos Protestos e Repressão
Desde o final de dezembro, o Irã vivencia uma série de protestos que começaram entre comerciantes insatisfeitos com a crise econômica, mas rapidamente se transformaram em um movimento mais amplo contra o regime teocrático que governa o país desde a revolução de 1979. As autoridades, que caracterizam os protestos como atos terroristas, iniciaram uma violenta campanha de repressão.
A ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, reportou que, até o momento, pelo menos 3.428 pessoas perderam a vida durante os confrontos. Adicionalmente, o governo iraniano cortou o acesso à internet desde o dia 8 de janeiro, dificultando a obtenção de informações precisas sobre os eventos.
Khamenei também criticou Trump, que havia feito ameaças de ataque ao Irã caso o governo começasse a executar manifestantes detidos. O líder iraniano considerou o presidente dos EUA responsável pelas mortes e pelos danos ocorridos, alegando que tudo faz parte de um plano para submeter o Irã.
Repercussões da Conexão de Internet
A crescente preocupação sobre o número de mortos gerou um debate intenso, especialmente com as dificuldades de verificação devido ao bloqueio de internet. Hoje, a ONG de monitoramento cibernético Netblocks reportou uma leve recuperação na conectividade no Irã, após mais de 200 horas de restrições.
Apesar dessa leve melhora, a conectividade permanece em níveis muito baixos, em torno de 2% do normal. Os iranianos no exterior têm recebido notícias de seus familiares por meio de mensagens curtas, devido ao alto custo e ao receio de que suas comunicações sejam monitoradas.
Além da IHR, um canal de oposição, o Iran International, também relatou que o número de mortos pode ser ainda maior, com estimativas indicando até 12.000 mortes, com base em informações de autoridades e fontes de segurança.
