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Impacto das Sanções dos EUA na Crise Econômica da Venezuela

© REUTERS/Maxwell Briceno/Proibida reprodução

A Venezuela, que recentemente foi alvo de ações militares dos Estados Unidos visando a remoção de Nicolás Maduro do poder, enfrenta há anos as consequências de sanções econômicas impostas pelo governo americano, conhecidas como Medidas Coercitivas Unilaterais.

Estudos indicam que bloqueios econômicos prolongados são frequentemente utilizados como estratégia de política externa para pressionar ou derrubar governos indesejados, um padrão observado em outras nações, como o Irã.

Para compreender como essas sanções afetam a economia e o tecido social, a Agência Brasil consultou especialistas e revisou pesquisas e relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o assunto.

A economista e socióloga Juliane Furno, professora adjunta na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), afirma que as sanções têm como objetivo “asfixiar experiências políticas que desafiam o controle dos países imperialistas”, com a intenção de provocar uma onda de descontentamento social capaz de resultar em uma mudança de regime.

Possuindo as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela tem sido alvo de restrições econômicas dos Estados Unidos sob a justificativa de defender os direitos humanos, promover a democracia e combater o narcotráfico.

Consequências do Bloqueio Econômico

O bloqueio econômico e financeiro imposto à Venezuela prejudicou severamente o financiamento da sua indústria petrolífera, restringiu o refinanciamento da dívida e dificultou as transações monetárias com o restante do mundo, além de congelar ativos venezuelanos no exterior, muitos dos quais foram transferidos para o controle da oposição.

Além dos Estados Unidos, países como Portugal e Reino Unido também imitaram essas ações, com o Banco Central da Inglaterra confiscando 31 toneladas de ouro da Venezuela, avaliadas em aproximadamente US$ 1,2 bilhões.

Washington passou a monitorar todas as transações associadas à Venezuela, resultando em bloqueios de canais financeiros com instituições de outros países.

Adicionalmente, foi proibido o pagamento de dividendos ao governo venezuelano oriundos da Citgo, a principal filial da estatal petroleira PdVSA no exterior, que foi liquidada pela justiça dos EUA no final de 2025 para atender aos credores internacionais da Venezuela, uma ação considerada por Caracas como “roubo”.

A Crise Econômica e Seus Efeitos

Entre 2013 e 2022, a recessão na Venezuela resultou em uma perda de cerca de 75% do PIB, impulsionando a emigração de mais de 7,5 milhões de pessoas, o que equivale a aproximadamente 20% da população do país.

Há divergências entre especialistas sobre a atribuição da responsabilidade pela crise, com alguns apontando para a gestão dos governos chavistas e outros para as sanções dos EUA como fatores principais.

Embora a recessão tenha se iniciado no segundo semestre de 2014, após a crise dos preços do petróleo, as primeiras sanções abrangentes contra a Venezuela foram implementadas em agosto de 2017, durante o governo de Donald Trump, que restringiu o acesso do país ao mercado financeiro americano.

Entre 2018 e 2020, novas sanções foram impostas sobre o comércio de petróleo, ouro e minérios, além de sanções secundárias para empresas de outros países que negociavam com a Venezuela.

O economista Francisco Rodríguez, da Universidade de Denver e crítico das gestões chavistas, reconhece a importância da administração interna na recessão anterior a 2017, mas também ressalta que o embargo econômico teve um papel crucial no agravamento da crise.

Rodríguez argumenta que a ideia de que a emigração venezuelana é exclusivamente resultado do regime de Maduro ignora o impacto das sanções nas condições de vida, evidenciando que essas medidas têm sido determinantes para o colapso econômico do país desde 2012.

O especialista alerta que uma nova paralisação severa das sanções poderia resultar na emigração de um milhão de venezuelanos adicionais nos próximos cinco anos, em comparação com um cenário sem as sanções econômicas.

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