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Oposição no DF solicita impeachment de Ibaneis Rocha após citação em investigações

© José Cruz/Agência Brasil

Partidos de oposição no Distrito Federal protocolaram um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha. A ação foi motivada pela citação do governador pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, durante investigações relacionadas à tentativa de venda dessa instituição ao Banco de Brasília (BRB).

Os pedidos foram apresentados por legendas como PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL, que alegam a ocorrência de crimes de responsabilidade vinculados à forma como o governo local gerenciou operações envolvendo o banco público. De acordo com as siglas, houve uma ‘atuação temerária’ por parte do Executivo, que geraria riscos ao erário e violaria os princípios da administração pública.

Pontos levantados nas acusações

Entre os aspectos criticados estão a aquisição de títulos considerados de baixa qualidade e com origem irregular, a criação de dívidas fora do orçamento, negociações opacas com o banqueiro e a possível influência indevida do governador nas decisões do BRB.

Ibaneis Rocha rejeitou as acusações. Em declarações à imprensa, o governador afirmou que nunca discutiu a operação BRB-Master com Vorcaro, assegurando que todas as negociações foram conduzidas por Paulo Henrique Costa, o então presidente do BRB. Embora tenha reconhecido encontros sociais com o banqueiro, Ibaneis negou que esses encontros tenham abordado temas relacionados ao banco.

O governador também enfatizou que a condução dos assuntos do BRB estava a cargo do ex-presidente, que foi demitido após o início das operações da Polícia Federal e do Ministério Público. Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, movimentações que estão sob investigação por suspeitas de gestão fraudulenta.

Desdobramentos e investigações

Investigações realizadas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal revelam que o Banco Master vendeu ao BRB aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes, como parte de uma tentativa de evitar a falência da instituição, que enfrentava uma grave crise de liquidez. Este caso culminou na liquidação do Banco Master pelo Banco Central em novembro.

Estima-se que a perda no BRB chegue a R$ 4 bilhões, e conforme informações de veículos de comunicação como Folha de S.Paulo e Valor Econômico, o Banco Central teria exigido que o BRB fizesse uma provisão de pelo menos R$ 2,6 bilhões. Até o momento, o BC não confirmou oficialmente essa informação.

Ex-executivos do BRB e do Banco Master foram convocados para prestar depoimentos no fim de janeiro e início de fevereiro. As apurações indicam falhas significativas na governança e possíveis irregularidades administrativas nas operações realizadas entre as instituições.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, Vorcaro declarou à Polícia Federal que houve algumas conversas com Ibaneis sobre as negociações. Essa informação foi revelada após o acesso ao depoimento do banqueiro à PF, fornecido em 30 de dezembro a pedido do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

Situação atual das apurações

As investigações mostram que, ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir uma parte significativa do Banco Master, com o apoio do governo do Distrito Federal, que é o acionista controlador do banco público. No entanto, essa iniciativa foi bloqueada pelo Banco Central. Simultaneamente, a Polícia Federal investiga se o BRB adquiriu carteiras de crédito de alto risco da instituição privada, analisando possíveis falhas nos processos internos de análise e aprovação.

Em novembro, uma operação conjunta da PF e do Ministério Público resultou no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que foi posteriormente demitido. Além das investigações realizadas por esses órgãos e pelo Banco Central, uma nova gestão do BRB e uma auditoria independente também estão examinando as transações, mas ainda não divulgaram conclusões oficiais.

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