
Os acordes de guitarra que marcaram uma geração continuam a ressoar nos palcos brasileiros. Recentemente, a CNN Brasil conversou com dois renomados guitarristas do país: Augusto Licks, ex-integrante dos Engenheiros do Hawaii, e Edgard Scandurra, do Ira!. O que une esses artistas é a formação de novas parcerias que resultam em canções inéditas e a revitalização de clássicos que permanecem como hinos para muitos.
Novos Projetos e Shows
Um dos destaques é o show agendado para esta sexta-feira (6), no Carioca Club, em São Paulo, onde Augusto Licks se apresenta acompanhado pela baterista Ananda Torres e pelo baixista Sandro Trindade. Com a turnê “Augusto Licks & Engenheiros”, o artista promete reviver os sucessos da banda gaúcha, ao mesmo tempo em que introduz novidades ao público.
Entre 2024 e 2025, Licks teve a oportunidade de tocar com Trindade e Carlos Maltz, ex-baterista dos Engenheiros, revisitando clássicos da formação original. “Foi um período emocionante, pois unimos a vontade de tocar à expectativa do público em nos ouvir”, relata Licks.
O guitarrista destaca que, mesmo com a ausência de Maltz, a nova formação mantém a essência do espetáculo, incorporando arranjos inovadores e músicas que nunca foram apresentadas ao vivo durante a época clássica da banda. Licks menciona que o repertório incluirá composições dos álbuns ‘GLM’ e ‘Ouça o Que Eu Digo, Não Ouça Ninguém’, além de uma faixa do disco ‘Várias Variáveis’.
Por outro lado, para aqueles que esperam ver Humberto Gessinger se reunindo com Licks e Maltz, a expectativa deve ser moderada. Gessinger segue sua carreira solo, apresentando novas músicas e clássicos em shows lotados pelo Brasil, enquanto cada artista prossegue seu caminho individualmente, mas sempre com as canções interligando suas trajetórias.
A Correria de Edgard Scandurra
A realidade é diferente para Edgard Scandurra, que permanece ativo no Ira! e também desenvolve projetos paralelos. Em uma apresentação no Sesc Belenzinho, ele subiu ao palco com Rodrigo Saldanha e seu filho, Daniel Scandurra, criando uma conexão intensa com o público. Scandurra explica que os shows do Ira! têm uma identidade coletiva, enquanto suas apresentações solo visam surpreender os espectadores com novas experiências.
Ele acredita que essa busca por novidade é um legado da música eletrônica dos anos 90, onde a expectativa de surpresas era fundamental. Para Scandurra, essa diversidade é enriquecedora, permitindo que ele se mova entre o mainstream e o underground, apresentando diferentes facetas de seu trabalho.
A rotina do músico é intensa, muitas vezes exigindo que ele se desloque rapidamente entre os shows. Scandurra já realizou até três apresentações em um único dia, alternando entre diferentes projetos, como o Pequeno Cidadão e colaborações com Arnaldo Antunes.
A Música como Refúgio
Licks reflete sobre o poder da música em tempos difíceis, destacando que as canções podem servir como uma forma de fuga diante de um cenário repleto de desafios sociais e políticos. Ele acredita que algumas letras recentes ressoam fortemente com as preocupações atuais, e menciona uma frase de uma canção alemã que aborda a resiliência em tempos adversos.
