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A Consolidação das Festas de Pré-Carnaval em Fortaleza como Destino de Folia

G1

A transformação da cena carnavalesca em Fortaleza, especialmente durante o Pré-Carnaval, é notável quando comparamos a realidade atual com a da década de 1990. Naquela época, a cidade apresentava um panorama de ruas desertas, exceto pelos desfiles na avenida Domingos Olímpio, enquanto os foliões buscavam festividades em outras localidades.

Nos últimos 20 anos, a capital cearense se desenvolveu em um polo de eventos, tanto públicos quanto privados, impulsionados por grupos locais apaixonados pela festa. A partir de 2006, uma nova política de editais promovida pelo governo municipal contribuiu para a expansão dessas iniciativas.

De acordo com dados da Secretaria Municipal do Turismo de Fortaleza (Setfor), a cidade projeta receber cerca de 227 mil turistas durante o Carnaval de 2026, um aumento de 13,6% em relação ao ano anterior. O impacto econômico estimado é de R$ 833,1 milhões, além do aumento de 8,7% na permanência dos visitantes.

A Evolução da Folia na Capital Cearense

Historicamente, Fortaleza era promovida como um destino de descanso durante o Carnaval. Na década de 1980, o foco estava em atrair turistas em busca de tranquilidade nas praias, enquanto o investimento público priorizava festividades em outras cidades do Ceará. O historiador Dilson Pinheiro recorda que, na época, muitos foliões buscavam refugiar-se em locais como Olinda para aproveitar o Carnaval.

Entretanto, o cenário começou a mudar com o surgimento de blocos que levaram as festas dos clubes para as ruas. Dilson Pinheiro, que esteve envolvido em várias iniciativas, descreve a criação do bloco ‘Quem é de Bem Fica’, que teve seu primeiro cortejo em 1994 com apenas 12 músicos, mas rapidamente ganhou popularidade.

Com o aumento da participação popular, o Pré-Carnaval se tornou um fenômeno crescente, apesar dos desafios, como a dificuldade de controlar a poluição sonora e os excessos após os eventos. A falta de conscientização na época levou Dilson a encerrar seu bloco em 2000, após receber queixas de moradores.

Reavivando a Tradição Carnavalesca

Um estudo realizado pela socióloga Vanda Borges, intitulado ‘Carnaval de Fortaleza: tradições e mutações’, refuta a ideia de que a capital perdeu seu espírito carnavalesco a partir da década de 1970. A pesquisa revela que, durante esse período, Fortaleza vivenciou um renascimento das agremiações de rua, que passaram por transformações significativas até o ano 2000.

Durante os anos 1970, observou-se o declínio dos carnavais de clubes, tradicionalmente associados às elites, ao passo que a década de 1980 trouxe um fortalecimento das festividades em localidades próximas como Aracati e Beberibe, refletindo uma mudança nas políticas de cultura e turismo.

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