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A História da Vila Soterrada de Tatajuba no Ceará

G1

No Ceará, uma famosa atração turística abriga a história de uma vila soterrada há mais de quatro décadas. A localidade de Tatajuba, situada em Camocim, foi progressivamente coberta pelas dunas que avançaram sobre suas construções na década de 1970.

De acordo com relatos de moradores, a igreja da vila foi uma das primeiras edificações a ser engolida pela areia, seguida por uma escola, um posto de saúde e diversas residências. A comunidade, que era predominantemente composta por pescadores e agricultores, possuía um rico patrimônio cultural e social.

João Batista dos Santos, conhecido como Tita e um dos últimos pescadores a viver na área, recorda que sua mãe teve que deixar a casa onde morava enquanto estava grávida. Tita descreve a vila como um lugar vibrante, com festividades e instituições que rivalizavam com as de localidades hoje muito mais conhecidas, como Jericoacoara.

Causas do Soterramento

O professor Jeovah Meireles, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que a localização da vila na trajetória natural das dunas contribuiu para seu soterramento. As dunas móveis, que se deslocam devido aos ventos e à escassez de vegetação, forçaram os moradores a deixar suas casas.

Embora não existam estatísticas precisas sobre o número de residentes afetados, muitos se refugiaram em comunidades vizinhas, resultando na formação do atual distrito de Tatajuba, oficialmente reconhecido em 2025.

Historicamente, a vila começou a ser habitada no início do século XX, mas foi a partir de 1970 que as dunas começaram a se intensificar, levando à migração da população para áreas adjacentes.

Transformações e Desafios da Nova Comunidade

João Batista de Paula, conhecido como João ‘Errado’, que vive há quase oito décadas na região, relembra o impacto do avanço das dunas e a mudança no estilo de vida dos moradores. Ele observa que a pesca, uma das principais atividades econômicas da região, diminuiu com a chegada do turismo.

Atualmente, muitos ex-moradores se dedicam ao setor turístico, enquanto João Batista e sua família reconstruíram suas vidas a um quilômetro do antigo local. Ele também participa ativamente da Associação de Moradores de Tatajuba, que busca revitalizar a comunidade.

Angelaine Alves, líder comunitária e companheira de Tita, acrescenta que a nova formação da vila, chamada São Francisco, surgiu após o soterramento, refletindo a resiliência da população local diante das adversidades.

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