
O Acordo de Paris, o principal tratado internacional destinado a enfrentar a crise climática global, alcança seu décimo aniversário nesta sexta-feira (12), marcando uma década desde sua adoção na COP21 em 2015. Este pacto global foi aclamado como um marco histórico na luta contra o aquecimento do planeta. No entanto, a Organização das Nações Unidas (ONU) emite um alerta contundente: o mundo permanece perigosamente distante de cumprir a meta crucial de limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius (ºC). Este limite é considerado vital pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para evitar impactos climáticos severos e, em muitos casos, irreversíveis. Para manter este objetivo ao alcance, as emissões globais precisam ser drasticamente reduzidas em 43% até o ano de 2030, exigindo um reforço substancial nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e uma aceleração na transição para economias de baixo carbono em todo o mundo.
Um marco global sob escrutínio
O Acordo de Paris, adotado por 195 Estados Partes e em vigor desde 2016, estabeleceu pela primeira vez um compromisso global e juridicamente vinculativo para conter o avanço da crise climática. Este tratado define um arcabouço para a ação climática mundial, funcionando em ciclos de cinco anos. Durante esses períodos, cada nação signatária é instada a apresentar ou atualizar seus planos climáticos, detalhando estratégias de redução de emissões, medidas de adaptação aos impactos já inevitáveis das mudanças climáticas, e diretrizes de longo prazo para guiar suas economias em direção à neutralidade de carbono.
A cooperação internacional é um pilar central do Acordo de Paris, reconhecendo a responsabilidade dos países desenvolvidos em liderar o financiamento climático, promover a transferência de tecnologia e capacitação para nações em desenvolvimento. Estes últimos são frequentemente os mais vulneráveis aos impactos climáticos e historicamente contribuíram com uma parcela muito menor das emissões acumuladas. Para monitorar o progresso coletivo, o tratado prevê o Quadro de Transparência Reforçado. Desde 2024, este mecanismo obriga todas as partes a reportarem detalhadamente suas ações, avanços e os apoios prestados e recebidos, garantindo que os dados alimentem o balanço global — uma ferramenta que avalia o progresso coletivo rumo às ambiciosas metas de longo prazo.
Desafios persistentes e a urgência da ação
Apesar dos avanços alcançados, o secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou que “2026 deve marcar o início de uma nova década de implementação”. Guterres reafirmou sua convicção de que o Acordo de Paris está funcionando ao mudar a trajetória de aquecimento global, mas alertou que a ação climática precisa ser “mais rápida e ir além”. Ele destacou que os últimos dez anos foram os mais quentes já registrados, resultando em tragédias humanas, destruição ecológica e crises econômicas crescentes. No entanto, o secretário-geral apontou um aspecto positivo: “Graças ao Acordo de Paris, não estamos mais no caminho para um aquecimento superior a 4°C — um cenário insustentável. Em vez disso, a trajetória global está mais próxima de 2,5°C”.
Apesar desta melhora em relação ao pior cenário, a diferença para o limite de 1,5°C ainda é preocupante. Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, houve um reconhecimento unânime da importância de limitar o aquecimento global. Guterres expressou esperança nessa união, afirmando que é possível controlar a escala e a duração do aumento das temperaturas e reduzi-las novamente, desde que medidas sérias sejam tomadas agora. Ele defendeu a necessidade de um “plano de aceleração que preencha a lacuna entre ambição, adaptação e financiamento”, ressaltando a interconexão desses elementos para uma resposta eficaz.
A visão dos líderes: progresso e urgência
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, corroborou a importância do Acordo de Paris, descrevendo-o como decisivo para “destravar” a ação climática em um momento de estagnação. Há uma década, a ação climática enfrentava inúmeros obstáculos, e o Acordo de Paris “possibilitou dar uma nova dinâmica ao combate à mudança do clima”. Ele reforçou que, à época das negociações, a ciência indicava um aumento de cerca de 4°C na temperatura média global. Graças aos esforços subsequentes, essa projeção foi reduzida para 2,5°C. Contudo, a meta de 1,5°C permanece um desafio crucial e ainda há muito a ser feito para evitá-la.
Perspectivas sobre o futuro da ação climática
Christiana Figueres, que foi secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) quando o Acordo de Paris foi criado, expressa um certo pessimismo quanto ao alcance das metas originais. Figueres ressaltou que, mesmo com o Acordo de Paris, já é “tarde demais para resolver a mudança climática” em sua totalidade, mas que a humanidade não está condenada aos piores impactos. Sua mensagem enfatiza a necessidade de acelerar o ritmo: “A chave agora é acelerar o ritmo: implementar de forma responsável a redução das emissões e a regeneração dos nossos ecossistemas naturais. Em consonância com o Acordo de Paris, para que nossos filhos, nossos netos e todas as gerações futuras possam vivenciar seus próprios momentos de alegria, de união por algo maior do que eles mesmos”. Sua visão é de que, embora a reversão total seja improvável, a mitigação e a adaptação podem assegurar um futuro mais habitável.
Conclusão
Ao completar dez anos, o Acordo de Paris é universalmente reconhecido como um marco fundamental que reorientou a trajetória climática global de um cenário catastrófico de 4°C para um de 2,5°C. No entanto, a celebração é tingida por um senso de urgência, já que o mundo ainda luta para alcançar o limite crítico de 1,5°C. As vozes de líderes globais e especialistas convergem na necessidade de acelerar a implementação, reforçar os compromissos nacionais e mobilizar financiamento e tecnologia para enfrentar a lacuna entre a ambição e a realidade. A próxima década será decisiva para determinar se os esforços coletivos serão suficientes para proteger o planeta e garantir um futuro sustentável para as próximas gerações.
Perguntas Frequentes
O que é o Acordo de Paris e qual seu principal objetivo?
O Acordo de Paris é o principal tratado internacional sobre mudanças climáticas, adotado em 2015. Seu objetivo central é limitar o aquecimento global a bem menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais, e envidar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C, para mitigar os piores impactos climáticos.
O que são as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs)?
As NDCs são planos climáticos apresentados por cada país signatário do Acordo de Paris, detalhando suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, estratégias de adaptação e outras ações para combater as mudanças climáticas. São revisadas a cada cinco anos.
Qual é a importância da meta de 1,5°C de aquecimento global?
A meta de 1,5°C é considerada crucial por cientistas para evitar os impactos mais catastróficos e irreversíveis das mudanças climáticas, como eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos, elevação significativa do nível do mar e perda massiva de biodiversidade.
Qual o papel da cooperação internacional no Acordo de Paris?
A cooperação internacional é um pilar fundamental, especialmente para apoiar países em desenvolvimento. Inclui o financiamento climático por nações desenvolvidas, a transferência de tecnologia e a capacitação, visando fortalecer a capacidade de todos os países de implementar suas ações climáticas e se adaptar aos impactos.
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