
Video comfirma situação de abandono do hangar da TAM.
Após mais de uma década de investimentos milionários e sucessivas promessas de progresso para o Litoral Leste, o Aeroporto de Aracati (Aeroporto Dragão do Mar) permanece longe de cumprir o papel para o qual foi criado. Inaugurado em 2012 com grande expectativa popular e política, o equipamento nunca conseguiu consolidar voos comerciais regulares e permanece operando quase exclusivamente para aviação privada e esportiva.
Na época da inauguração, a obra foi apresentada pelo então secretário de Turismo, Bismarck Maia, como um marco logístico e turístico que transformaria Aracati e Canoa Quebrada em um dos principais destinos do Nordeste. Além dos voos comerciais, era prevista uma área industrial aeronáutica, com a chegada da TAM Aviação Executiva, que instalaria um hangar de manutenção de aeronaves com previsão de cerca de 150 empregos diretos.
Entretanto, o projeto nunca se materializou. O hangar, que custou dezenas de milhões de reais, está abandonado há anos e não recebeu a operação prometida. A área permanece fechada, sem destinação e sem qualquer retorno para a população.
Mesmo com estrutura moderna — pista capaz de receber aeronaves de médio porte, terminal de passageiros e estacionamento — o aeroporto permanece praticamente ocioso. Nos últimos anos, as poucas tentativas de retomada de voos comerciais foram encerradas devido à baixíssima ocupação de passageiros.
Hoje, o movimento predominante é de voos particulares, aeronaves executivas e atividades esportivas. O uso recente de aeronave particular por um secretário estadual para um trajeto que poderia ser feito de carro em pouco mais de uma hora reacendeu o debate sobre o real propósito do aeroporto e o custo de manutenção arcado pelos cofres públicos.
Agora, o governo estadual trabalha para privatizar o equipamento, incluído no programa federal AmpliAR, com promessa de investimento privado, ampliação do terminal e tentativa de reposicionar o aeroporto como ativo econômico. O processo é defendido pelo atual secretário do Turismo, Eduardo Bismarck, filho do então secretário responsável pela construção.
Contudo, especialistas apontam que ainda não existe demonstração concreta de demanda que justifique a continuidade de altos custos operacionais e novos investimentos públicos na infraestrutura.
Após 13 anos, o Aeroporto de Aracati permanece como símbolo de esperança não cumprida: grande obra, grande promessa, pequeno resultado.
A população e empresários locais aguardam definição sobre o futuro do aeroporto e cobram transparência sobre gastos, manutenção e responsabilidade pela ausência de retorno econômico.
LINHA DO TEMPO — AEROPORTO DE ARACATI (Dragão do Mar)
Da promessa de desenvolvimento ao risco de privatização
2010–2011
Governo do Ceará anuncia investimentos para transformar Aracati em polo turístico aéreo do Litoral Leste. Estudo de viabilidade econômica projeta criação de centenas de empregos diretos e forte impacto no turismo de Canoa Quebrada. TAM Aviação Executiva anuncia intenção de instalar um centro de manutenção com hangar especializado.
2012
04 de agosto de 2012 – Inauguração oficial do Aeroporto Dragão do Mar, durante gestão de Cid Gomes e sob comando da Secretaria de Turismo do Ceará, liderada por Bismarck Maia. Promessa oficial: atrair voos regulares nacionais e internacionais, impulsionar economia e turismo regional. Hangar da TAM é apresentado como marco industrial, com previsão de ~150 empregos diretos.
2013–2016
Baixa operação de voos comerciais. Pouca demanda de passageiros e pouca ocupação no terminal. Aviação geral e esportiva passam a representar a maior parte dos pousos e decolagens.
2017–2019
A TAM Aviação Executiva encerra operações no hangar técnico. Estrutura milionária passa a permanecer fechada e sem destinação. Primeiras críticas públicas sobre desperdício de recursos e falta de planejamento.
2020–2022
Aeroporto praticamente sem voos regulares. Operações eventuais da Azul Conecta, mas sem continuidade por baixa ocupação. Custo de manutenção permanece alto mesmo sem operação plena.
2023–2024
Voos comerciais retornam brevemente, mas novamente são cancelados por baixa demanda. Reportagens mostram que o hangar da TAM encontra-se abandonado e sem uso.
2025
Aeroporto entra no programa federal AmpliAR, para concessão à iniciativa privada. Eduardo Bismarck, atual secretário do Turismo do Ceará, defende privatização e promete investimentos de R$ 42 milhões. Continua sem voos comerciais regulares. Movimento predominante: aviação executiva e esportiva. Crescem críticas sobre o uso político da obra e sobre voos particulares envolvendo autoridades.
