
O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) manteve a decisão de levar a júri popular um réu acusado de homicídio, ocorrido há quase três décadas. A deliberação refere-se ao caso de Ivaneide Barbosa Fernandes Silva, assassinada em Milhã, no Sertão Central, no ano de 1998. A confirmação da pronúncia do acusado, após a negativa de um Recurso em Sentido Estrito pela defesa, representa um avanço significativo na busca por justiça.
Essa etapa processual é de grande importância para Bruno Fernandes, filho da vítima, que tinha apenas dois anos quando sua mãe foi brutalmente morta, em 9 de julho de 1998. Atualmente com 30 anos e ocupando o cargo de Ouvidor-Geral Adjunto no município, Bruno foi legalmente reconhecido como assistente de acusação, o que lhe permite acompanhar de perto o andamento do processo.
Em manifestação nas redes sociais, Bruno relembrou a longa e árdua jornada desde o dia do crime até a recente validação do júri. Ele destacou o hiato de 28 anos entre o trágico evento de 1998 e a decisão favorável em 2026, mencionando sua participação ativa no processo, deferida pela Desembargadora Lígia Andrade.
Trajetória Processual e Detalhes do Crime
De acordo com Bruno Fernandes, a ação judicial permaneceu paralisada até 2018, período em que o prazo prescricional também foi suspenso. O caso foi reativado posteriormente e, em 2023, o acusado foi localizado e detido na cidade de Costa Marques, em Rondônia. Após aproximadamente cinco meses de custódia, o réu responde ao processo em liberdade, aguardando o agendamento de seu julgamento. Bruno ainda sugere que o homicídio de sua mãe pode ter sido o primeiro registrado contra uma mulher em Milhã desde a emancipação do município em 1985, um fato lembrado pela comunidade local e amigos, apesar da ausência de registros históricos formais.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) detalha que Ivaneide Barbosa Fernandes Silva tinha 24 anos ao ser vitimada. O órgão ministerial afirma que o delito foi cometido de forma “covarde, sorrateira, a traição”, sem que houvesse discussão prévia ou motivo aparente. Conforme os autos, por volta das 21h30 daquele 9 de julho de 1998, o acusado teria saído de um bar, adquirido uma faca peixeira de oito polegadas e, ao passar em frente ao estabelecimento onde Ivaneide trabalhava, desferiu dois golpes mortais contra ela, impedindo qualquer reação.
As investigações indicam que o próprio acusado confessou o homicídio. Os depoimentos do comerciante que vendeu a arma do crime e da ex-companheira do réu foram cruciais para reforçar os indícios de autoria, servindo como base para a decisão da 1ª Vara da Comarca de Solonópole de encaminhar o caso para o Tribunal do Júri.
Ao comentar a recente confirmação do TJCE, Bruno Fernandes expressou que, embora não seja ainda uma vitória plena, representa uma “resposta” após quase três décadas de espera. Ele também agradeceu à advogada Vitória Ângelos, responsável pela sustentação oral durante o julgamento do recurso, e ressaltou que o próximo passo crucial será a realização do julgamento em Solonópole.
