
A British American Tobacco (BAT) no Brasil anunciou a inauguração de seu hub de investimentos e inovação, uma iniciativa crucial apoiada pelo fundo global Btomorrow Ventures. Este projeto visa impulsionar o crescimento de startups e empresas em estágios iniciais, com um foco estratégico nos setores de bens de consumo e no desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras para o varejo.
Em uma entrevista à CNN Money, Claudia Woods explicou que a decisão de estabelecer esta base no Brasil reflete a maturidade do ecossistema de inovação do país. Ela destacou a existência de uma rede robusta de empreendedores, a presença significativa de fundos globais de investimento e um mercado interno de grande escala, que oferece um ambiente ideal para a validação e expansão de novos modelos de negócios.
Estratégia de Transformação e Fundo Bilionário
Esta ação integra a ambiciosa estratégia de transformação da BAT, uma empresa com 120 anos de atuação no Brasil. A companhia estabeleceu uma meta global para que, até 2035, mais da metade de sua receita seja gerada por produtos que não sejam derivados do tabaco, sinalizando uma clara direção rumo à diversificação.
Para catalisar esse processo de mudança, a BAT criou um fundo de corporate venture capital com um montante inicial superior a R$ 3 bilhões dedicados a novos investimentos. Desse total, cerca de R$ 2,2 bilhões ainda estão disponíveis para aportes em negócios promissores.
Além do capital financeiro, a BAT oferecerá suporte estratégico às empresas investidas através de uma metodologia própria, batizada de T-Factor. Este modelo busca transferir o vasto conhecimento acumulado pela companhia em áreas fundamentais como marketing, branding, operações, manufatura e distribuição.
O objetivo é permitir que as startups concentrem seus esforços no desenvolvimento de produtos, na conquista de novos clientes e na expansão de suas operações, enquanto a BAT fornece apoio essencial em atividades de back-office, otimizando o processo de crescimento.
Foco de Investimentos e Casos de Sucesso
Os investimentos do fundo estão concentrados em duas vertentes principais. A primeira é o segmento de bens de consumo, com especial interesse em produtos voltados ao bem-estar, que incluem desde estimulantes até itens focados em relaxamento e melhoria da capacidade de concentração.
A segunda vertente abrange soluções tecnológicas destinadas ao varejo. A BAT pretende capitalizar sua vasta presença em mais de 300 mil pontos de venda no Brasil para identificar os desafios enfrentados por pequenos e médios varejistas e fomentar o desenvolvimento de tecnologias que impulsionem a eficiência e a rentabilidade desses negócios.
No Brasil, a BAT já realizou dois investimentos notáveis. O primeiro foi na Maismoo, uma empresa de snacks saudáveis que oferece produtos como barrinhas de cereal e itens à base de whey protein. A Maismoo alcançou a liderança em vendas de barrinhas em São Paulo e já passou por três rodadas de investimento.
O segundo aporte foi direcionado à Uelo, uma startup especializada em tecnologia para roteirização de operações logísticas. A Uelo conseguiu duplicar seu valuation em menos de 18 meses antes de ser integralmente adquirida por outra companhia do setor.
Para os próximos meses, a expectativa da BAT é concretizar pelo menos mais dois novos investimentos. Segundo Claudia Woods, os principais critérios de seleção incluem o alinhamento estratégico com as áreas de atuação do fundo, a experiência e a qualidade da equipe empreendedora, além da validação de mercado do produto ou serviço oferecido.
A companhia busca empresas que já possuam um faturamento anual em torno de R$ 50 milhões, indicando um foco em negócios com tração comprovada.
