
Em um cenário de incertezas no mercado global, a bolsa brasileira demonstrou resistência ao alcançar um novo recorde, encerrando o dia acima dos 166 mil pontos pela primeira vez. O valor do dólar também apresentou alta, refletindo as tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e a Europa.
Desempenho do Ibovespa
O índice Ibovespa da B3 finalizou a sessão de terça-feira (20) aos 166.277 pontos, registrando uma elevação de 0,87%. Durante a manhã, houve uma queda, mas a situação mudou após a abertura das bolsas nos Estados Unidos, quando investidores começaram a redirecionar capitais para mercados emergentes.
Por volta do final da tarde, o índice perdeu momentaneamente os 166 mil pontos devido ao discurso sobre o primeiro ano de governo do presidente Donald Trump, mas, nos últimos minutos de negociação, recuperou-se, impulsionado principalmente pelas ações de setores como mineração, bancário e petrolífero.
Câmbio e suas implicações
A alta na bolsa não foi acompanhada pelo mercado de câmbio, onde o dólar comercial fechou a terça-feira cotado a R$ 5,375, um aumento de R$ 0,016 (+0,3%). O dia começou com uma disparada na cotação, que chegou a R$ 5,40 antes das 11h, mas perdeu força ao longo do dia.
As crescentes tensões entre os EUA e a Europa, especialmente após o aviso do presidente francês Emmanuel Macron sobre possíveis retaliações comerciais, contribuíram para a volatilidade do câmbio. A União Europeia poderia impor tarifas significativas sobre produtos americanos após as ameaças de Trump relacionadas à Groenlândia e ao aumento de tarifas sobre produtos europeus.
Além disso, a decisão do parlamento europeu de suspender o acordo comercial com os Estados Unidos, que previa uma tarifa de 15% sobre produtos europeus, reforçou as incertezas no mercado.
A diferença significativa entre as taxas de juros do Brasil e dos EUA tem ajudado a mitigar os efeitos negativos no mercado financeiro brasileiro. Investidores que abandonaram as bolsas americanas, afetadas por quedas acentuadas, se mostraram atraídos pelas altas taxas de juros no Brasil, o que diminuiu a pressão sobre o dólar e favoreceu a bolsa.
Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reunirá para discutir a direção da Taxa Selic, que atualmente se encontra em 15% ao ano, o nível mais alto em quase duas décadas.
