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Brasil Anuncia Amplo Pacote de Proteção Ambiental e Recuperação de Biomas

© Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, revelou um conjunto de novas iniciativas focadas na preservação dos biomas brasileiros e na intensificação do combate aos efeitos das alterações climáticas. O anúncio ocorreu no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quarta-feira (10), em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, anualmente celebrado em 5 de junho.

Medidas Governamentais para Conservação e Restauração

Entre as ações formalizadas pelo chefe do executivo, incluem-se a criação de novas unidades de conservação e a expansão de áreas protegidas já existentes, visando a fortalecer a proteção de ecossistemas estratégicos. Paralelamente, foi promulgada a Lei da Política Nacional para Recuperação da Caatinga, um marco essencial para a restauração desse bioma peculiar. Um decreto adicional simplifica e agiliza a transferência de verbas do Fundo Nacional do Meio Ambiente para governos estaduais e municipais, com o objetivo de prevenir e combater incêndios florestais.

O presidente Lula sublinhou o posicionamento preventivo do país, afirmando: “Pela primeira vez, estamos nos antecipando na luta para combater as possíveis queimadas que virão, pois a perspectiva é de que o El Niño será muito violento, e de que podemos ter mais desastres climáticos. Pela primeira vez, estamos preparados antecipadamente para enfrentar essa situação”. Ele acrescentou que tais esforços consolidam a credibilidade internacional do Brasil na pauta ambiental.

Redução do Desmatamento e Reafirmação da Governança

Dados recentes do MapBiomas indicam um avanço significativo, com o país registrando uma área desmatada abaixo de 1 milhão de hectares (984,7 mil hectares) em um período recente, um feito sem precedentes. Para mitigar o desmatamento, foram estabelecidos o Parque Nacional do Tanaru, em Rondônia, e a Área de Proteção Ambiental do Paleocanal do Rio Tocantins, no Pará. Além disso, houve o aumento dos limites dos Parques Nacionais da Serra das Confusões e de Sete Cidades, ambos situados no Piauí.

João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, apresentou uma análise sobre a diminuição do desmatamento. Conforme o ministro, a Amazônia registrou uma queda de 50%, com tendência de continuação, enquanto o Cerrado viu seus índices reduzirem em 32% e o Pantanal em 63%. Capobianco avalia que, desde 2023, o Brasil retomou a liderança na governança ambiental, colocando a questão climática e ambiental no cerne das políticas públicas nacionais.

O ministro complementou, declarando que “saímos de um período de desestruturação institucional para reconstruir as capacidades do Estado, fortalecer os órgãos ambientais, recuperar instrumentos de planejamento e restabelecer a coordenação entre o Governo Federal, os estados, os municípios e a sociedade”. Ele ressaltou a importância de não relegar a política ambiental a um tema secundário.

Investimentos e Financiamento para a Restauração Ecológica

Durante o evento, foram anunciados importantes aportes financeiros, totalizando R$ 2 bilhões, destinados a fortalecer as operações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Uma iniciativa crucial incluiu a alocação de R$ 834 milhões do Fundo Clima para financiar projetos de restauração da vegetação nativa, propostos por empresas e entidades da sociedade civil. Esses recursos, de caráter reembolsável, são administrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES, descreveu o financiamento como um marco, enfatizando que “além de enfrentar o desmatamento, nós estamos reconstruindo as nossas florestas. E isso é uma coisa que ninguém está fazendo no mundo como nós estamos fazendo”. Ela projetou que os R$ 834 milhões irão impulsionar um montante total de R$ 3 bilhões em investimentos, considerando a participação complementar de empresas.

A celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente, contexto para a série de anúncios, teve sua instituição em 1972 pela Organização das Nações Unidas, durante a Conferência de Estocolmo, na Suécia, evento considerado o primeiro grande encontro da ONU sobre o meio ambiente.

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