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Cabo Caramelo: o vira-lata que se tornou mascote policial e estrela das

G1

Um gesto de compaixão em um dia de chuva intensa transformou a vida de um vira-lata anônimo, que buscava abrigo, em uma história inspiradora de acolhimento e reconhecimento. O Cabo Caramelo, um cão que encontrou refúgio na 1ª Companhia do 15º Batalhão da Polícia Militar, em Guarulhos, não apenas conquistou o coração dos policiais, mas também se tornou um fenômeno nas redes sociais. Sua jornada, que começou com uma simples tentativa de escapar do frio e da chuva, culminou em um papel ativo em ações sociais da corporação, servindo como uma ponte afetiva entre a polícia e a população, e inspirando a criação de uma organização não governamental dedicada ao resgate animal.

Do abrigo provisório à patente militar

Acolhimento inesperado no batalhão
A saga do Cabo Caramelo teve início há cerca de um ano, quando, em um dia gelado e chuvoso, ele adentrou o quartel da 1ª Companhia do 15º Batalhão da Polícia Militar, buscando desesperadamente um lugar para se proteger. Segundo relatos de policiais que testemunharam sua chegada, ele era um animal adulto, visivelmente abandonado e em busca de refúgio. A cena comoveu os oficiais, que, diante da forte chuva, decidiram não o expulsar. O instinto de proteção e solidariedade prevaleceu, e o cão recebeu um abrigo improvisado, feito com tapetes e papelões sob um banco, marcando o início de sua permanência no local.

No dia seguinte, a presença do novo “integrante” do batalhão não passou despercebida. Um dos policiais, Luís Victor Alves de Oliveira, ao chegar para o trabalho, deparou-se com o cão, que ainda se encontrava sujo, infestado de carrapatos e com remelas nos olhos. Foi então que a equipe decidiu agir de forma mais ativa. Os policiais dedicaram tempo para dar banho no animal, aplicar antipulgas e providenciar uma casinha mais adequada, garantindo-lhe conforto e higiene. No entanto, mesmo com o novo lar, o Caramelo demonstrava um certo apego à sua antiga vida de rua, saindo frequentemente do batalhão para suas “gandaias” e retornando apenas quando buscava um local seguro para descansar.

A saga da identificação e o batismo
Para garantir a segurança do cão e evitar que ele se perdesse permanentemente, a equipe teve a ideia de colocar uma plaquinha de identificação em sua coleira, contendo o telefone da base policial. A medida se mostrou eficaz, mas gerou situações inusitadas e divertidas. Era comum o telefone do batalhão tocar com pessoas relatando ter encontrado o Caramelo em padarias, espetinhos ou outros estabelecimentos comerciais da região. A surpresa maior, no entanto, vinha quando as pessoas ligavam para o número da plaquinha e eram atendidas pela Polícia Militar, pensando ter discado para o lugar errado. Após a devida explicação sobre o “Cabo Caramelo”, uma viatura era prontamente enviada para buscá-lo e trazê-lo de volta ao batalhão, sempre com a autorização do comando.

Foi nessa rotina de idas e vindas que o cão vira-lata ganhou seu nome e sua patente. O policial Luís Victor Alves de Oliveira sugeriu: “Põe Caramelo, e ele é cabo”. A ideia foi prontamente aceita e o apelido “Cabo Caramelo” se popularizou rapidamente entre os membros do batalhão. A partir de então, o vira-lata não era apenas um cão abrigado, mas um membro honorário da corporação, com uma identidade e uma história que começavam a se desenrolar.

O fenômeno digital e a adoção oficial

Ascensão nas redes sociais
O nome “Cabo Caramelo” rapidamente transcendeu os muros do batalhão. As primeiras filmagens, feitas despretensiosamente por Oliveira para enviar à sua esposa, foram o pontapé inicial para o que se tornaria um fenômeno digital. A esposa de Oliveira, sem imaginar a magnitude que a iniciativa alcançaria, criou um perfil no Instagram, @cabocaramelo. Em pouco tempo, os vídeos que mostravam a rotina divertida do cão no quartel começaram a viralizar.

Um dos vídeos mais emblemáticos, que mostra o Cabo Caramelo “passeando” por uma farmácia e sendo “buscado” pelos policiais, atingiu a marca impressionante de 9 milhões de visualizações. O perfil no Instagram acumulou mais de 250 mil seguidores, consolidando o Caramelo como uma verdadeira celebridade digital. Com a crescente popularidade, surgiram produções mais elaboradas, com histórias fictícias que retratavam o cão como um agente especial. Para diferenciá-lo dos “cães policiais” do canil da PM, ele foi carinhosamente apelidado de “cãolicial”, termo que foi amplamente aceito e aclamado pelo público, que passou a demandar mais e mais conteúdos sobre o mascote.

Da viralização à segurança do lar
A fama, contudo, trouxe consigo alguns riscos. Houve um incidente em que o Cabo Caramelo foi quase sequestrado por uma mulher que alegava tê-lo encontrado na rua. A intervenção rápida de uma policial garantiu que ele retornasse em segurança ao batalhão. Diante de situações como essa e dos perigos inerentes à vida de um cão que ainda mantinha certa independência, o policial Luís Victor Alves de Oliveira tomou a decisão de adotá-lo oficialmente.

O Cabo Caramelo, então, mudou-se para a casa da família de Oliveira, garantindo-lhe um lar definitivo e seguro. Mesmo morando fora do batalhão, ele mantém uma “escala de serviço” peculiar, como brinca o policial: “Ele trabalha numa escala de 1 por 6. Às vezes, 1 por 14”. Essa rotina permite que o mascote continue presente na vida da corporação e em suas atividades.

Um mascote a serviço da comunidade

Engajamento em ações sociais e campanhas
Mesmo com a nova moradia, a participação do Cabo Caramelo na rotina da Polícia Militar permaneceu ativa e estratégica. O comando da PM o utiliza em diversas ações sociais e na ronda escolar, aproveitando sua popularidade para fortalecer a relação com a comunidade. A imagem carismática do cão é um trunfo valioso para quebrar barreiras e humanizar a figura da polícia, especialmente entre as crianças. Não é raro que outros policiais, de diferentes companhias, se aproximem de Oliveira para perguntar: “Você é da companhia do Cabo Caramelo?”.

Além das rondas escolares, o Caramelo tem sido figura central em importantes campanhas de arrecadação. Ele auxiliou na mobilização para o envio de alimentos e suprimentos ao Rio Grande do Sul, durante o período das devastadoras enchentes que atingiram o estado. Mais recentemente, participou de uma campanha de Natal da 1ª Cia do 15º Batalhão da PM, aparecendo em vídeos e fotos ao lado de policiais vestidos com trajes natalinos, ampliando o alcance das mensagens solidárias.

Legado e reconhecimento: a ONG do Cabo Caramelo
A repercussão do Cabo Caramelo nas redes sociais não apenas gerou engajamento, mas também impulsionou um projeto de longa data do policial Luís Victor e sua esposa: a criação de uma ONG. Com a visibilidade e o apoio conquistados por meio do mascote, eles conseguiram angariar recursos e realizar ações independentes, como o envio de ajuda ao Rio Grande do Sul. Em reconhecimento ao seu papel fundamental nessas conquistas, a organização levou o nome do próprio Cabo Caramelo.

Atualmente, a ONG atua no resgate de animais vítimas de maus-tratos, oferece suporte a animais silvestres e domésticos, e promove uma série de ações sociais, incluindo eventos dedicados às crianças. O impacto do Caramelo transcende a esfera digital, materializando-se em iniciativas concretas de proteção animal e serviço comunitário. Neste ano, a contribuição do mascote foi formalmente reconhecida com a “Medalha de Honra ao Mérito Canino”, concedida por uma associação de veteranos da polícia. Com aproximadamente 4 anos de idade, o vira-lata que apenas buscava abrigo da chuva se transformou em um símbolo de acolhimento, bom humor e aproximação, consolidando seu legado e conquistando admiradores em todos os lugares.

Um ícone de acolhimento e engajamento comunitário

A trajetória do Cabo Caramelo ilustra como um encontro fortuito pode gerar um impacto profundo e duradouro. De um cão de rua em busca de refúgio, ele ascendeu à condição de mascote oficial de um batalhão da Polícia Militar, um fenômeno das redes sociais e um agente de transformação social. Sua história não apenas fortalece os laços entre a corporação e a população, especialmente crianças, mas também inspirou a criação de uma organização dedicada à proteção animal e ações humanitárias. O Cabo Caramelo personifica valores como empatia, humor e o poder da conexão, permanecendo como um símbolo vivo de acolhimento e serviço à comunidade.

Perguntas frequentes sobre o Cabo Caramelo

Como o Cabo Caramelo chegou ao batalhão da PM?
Ele chegou em um dia de muita chuva e frio, há cerca de um ano, buscando abrigo na 1ª Companhia do 15º Batalhão da Polícia Militar, em Guarulhos. Os policiais, comovidos, permitiram que ele ficasse e providenciaram um abrigo improvisado.

Qual o papel do Cabo Caramelo nas redes sociais?
O Cabo Caramelo se tornou um fenômeno nas redes sociais, com um perfil no Instagram (@cabocaramelo) que possui mais de 250 mil seguidores. Seus vídeos, que retratam sua rotina e histórias fictícias como “cãolicial”, viralizam e geram grande engajamento, aproximando a polícia da população.

O Cabo Caramelo ainda vive no batalhão da PM?
Não. Após incidentes de risco, o policial Luís Victor Alves de Oliveira o adotou oficialmente. Atualmente, o Cabo Caramelo mora com a família do policial, mas mantém uma “escala” própria de visitas e participações nas ações do batalhão.

Qual o impacto do Cabo Caramelo nas ações sociais da PM?
Ele é utilizado em rondas escolares e diversas ações sociais da corporação, ajudando a humanizar a imagem da polícia e a quebrar barreiras, especialmente com crianças. Além disso, ele inspirou e ajudou a arrecadar recursos para uma ONG que leva seu nome, dedicada ao resgate e proteção animal, e à promoção de eventos sociais.

Acompanhe as novas aventuras e o trabalho social do Cabo Caramelo seguindo seus perfis nas redes e conhecendo o projeto da ONG que ele inspirou.

Fonte: https://g1.globo.com

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