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Cenário Político no Ceará: Racha de Antigos Aliados Põe Ciro Gomes e Elmano de Freitas em Rotas Opostas

G1

A disputa pelo governo do Ceará em 2026 coloca frente a frente dois políticos que, em passado recente, compartilhavam a mesma base de apoio: Ciro Gomes e Elmano de Freitas. A antiga coalizão entre o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido dos Trabalhadores (PT) se fragmentou, resultando em uma reconfiguração de forças onde nomes outrora unidos agora se apresentam como adversários.

Até 2022, Ciro Gomes fazia parte do arranjo político iniciado em 2006 por seu irmão, Cid Gomes, então governador e hoje senador. Essa parceria envolvia aliados dos irmãos Ferreira Gomes, então no PDT, e o PT, liderado por Camilo Santana, que na época era governador e ganhou projeção nacional durante a pandemia. A dissolução desse bloco ocorreu há quatro anos, motivada por divergências na escolha do candidato ao governo estadual, o que culminou no distanciamento entre Cid e Ciro, que desde então não mantêm comunicação. Esse divórcio político se estendeu às eleições municipais de 2024 em Fortaleza, onde cada um apoiou postulantes distintos.

As mais recentes projeções da pesquisa Quaest, veiculadas pelo g1, indicam que Ciro Gomes e Elmano de Freitas são os principais nomes na corrida eleitoral cearense. No panorama estimulado, que apresenta os candidatos aos votantes, Ciro registrou 43% das intenções de voto, enquanto o atual governador Elmano de Freitas alcançou 33%. Atualmente, Ciro está filiado ao PSDB, e Elmano permanece no PT.

Composições das Chapas e Novas Alianças

No pleito vindouro, a candidatura de Ciro Gomes ao governo tem como vice o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, do União Brasil. Para as vagas no Senado, a chapa de Ciro apresenta o ex-deputado federal Capitão Wagner, também do União Brasil e antigo opositor do grupo Ferreira Gomes, e Alcides Fernandes, deputado estadual pelo Partido Liberal (PL). O apoio do PL a Ciro, inclusive, foi um ponto de discórdia inicial entre Michelle e Flávio Bolsonaro, que posteriormente se reconciliaram.

Por outro lado, Elmano de Freitas concorre com a atual vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar (PSD), como candidata a vice. Os postulantes ao Senado em sua chapa são Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, e Luizianne Lins (Rede), deputada federal. Esta coligação foi articulada com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, servindo como seu palanque eleitoral no estado.

O cenário atual, na visão do cientista político Emanuel Farias, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), transcende um mero desentendimento e representa a desintegração do grupo político estabelecido em 2006. Farias ressalta que “Esse grupo político não existe mais, ele foi rompido como consequência das eleições de 2022”. Ele ainda complementa que uma parcela do grupo que apoia Cid Gomes endossa a reeleição de Elmano, enquanto a outra parte está com Ciro Gomes, que, por sua vez, pedirá votos para candidatos ao Senado que são opositores a Cid.

A ruptura de 2022 pavimentou o caminho para a candidatura de Ciro em 2026, agora com o respaldo de figuras que antes eram adversárias e com apoio de espectros de centro e direita. Em contrapartida, a chapa de Elmano conta com Cid, irmão de Ciro, disputando a reeleição ao Senado. A amplitude dessa disputa estadual alcançou repercussão em Brasília. Recentemente, na quinta-feira (20), o presidente Lula solicitou o afastamento do deputado federal Mauro Benevides Filho (União Brasil-CE) de sua função de vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, uma vez que Mauro Benevides coordena o programa de governo de Ciro Gomes.

Nas eleições que se aproximam, Ciro Gomes consolidou uma coalizão que abrange sete partidos, estendendo-se do centro à direita. A aliança inclui a federação PSDB-Cidadania, a federação União Progressista (União Brasil e PP), o Democracia Cristã, o Avante e o Partido Liberal (PL). Apesar do engajamento do PL e de personalidades bolsonaristas no Ceará, Ciro reiterou não apoiar a postulação de Flávio Bolsonaro à Presidência. A comunicação de sua campanha foca predominantemente na imagem de Ciro, sem grande exposição de outras lideranças nacionais.

O grupo de Elmano, em contraste, é composto pelo PSB, PDT, Podemos, Mobiliza, Republicanos, MDB, pela Federação Renovação Solidária (PRD e Solidariedade), pela Federação PSOL-Rede e pela Federação Brasil da Esperança (PT, PC do B e PV). A campanha de Elmano se baseia fortemente no alinhamento com o governo federal e na parceria com o presidente Lula, que também busca a reeleição. A imagem de Lula é frequentemente utilizada em seus materiais de divulgação, e Elmano aparece em seus eventos ao lado de deputados e prefeitos aliados, como Evandro Leitão (PT), prefeito de Fortaleza.

Assim, Ciro Gomes se encontra em uma posição de buscar apoio que se opõe diretamente ao seu irmão, Cid Gomes, candidato à reeleição para o Senado. Em seus atos de campanha, o político filiado ao PSDB é constantemente visto ao lado de deputados e outras figuras conhecidas da oposição.

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