
A União Europeia decidiu suspender as importações de carne e produtos de origem animal do Brasil, surpreendendo o governo brasileiro. A informação foi divulgada na última terça-feira, 12 de maio, levando os ministérios das Relações Exteriores, Agricultura e Pecuária, e Desenvolvimento a se comprometerem em adotar medidas para reverter essa decisão.
Pedro Miguel da Costa e Silva, embaixador do Brasil na União Europeia, informou que buscará esclarecimentos sobre a situação em uma reunião com autoridades europeias de saúde animal, agendada para quarta-feira.
Implicações para o Brasil
A medida da UE não terá um impacto imediato, já que a proibição só entrará em vigor em 3 de setembro. Atualmente, o Brasil continua suas exportações de carne e produtos de origem animal para o bloco europeu. Se a decisão não for revertida até a data estipulada, estima-se que os exportadores brasileiros poderão enfrentar uma perda anual de aproximadamente 1,8 bilhão de dólares, conforme dados do Ministério da Agricultura.
Entretanto, essa situação não deve provocar uma queda nos preços das carnes no mercado interno, uma vez que os exportadores podem redirecionar suas vendas para outros países, visto que a União Europeia não é o principal destino das exportações brasileiras.
Além da carne bovina, que é o principal produto exportado para a UE, a proibição pode impactar também as exportações de aves, ovos, peixes, equinos e outros produtos de origem animal.
Relevância da União Europeia
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a União Europeia foi o quarto maior destino da carne bovina brasileira em 2025, com 128,9 mil toneladas exportadas, totalizando 1,06 bilhão de dólares. A China, por sua vez, é responsável por quase metade dasexportações, com 1,68 milhão de toneladas e um valor de 8,90 bilhões de dólares. Os Estados Unidos ocupam a terceira posição, com 271,8 mil toneladas e 1,64 bilhão de dólares.
Em relação à carne de frango, a UE ficou apenas na oitava posição entre os compradores em 2025, com 233 mil toneladas, totalizando 302 milhões de dólares. Os Emirados Árabes Unidos lideram esse ranking, importando 479,9 mil toneladas.
Razões para a proibição
A União Europeia não alegou contaminação da carne brasileira, mas justificou a medida por falta de garantias adequadas sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária brasileira. A questão envolve aspectos regulatórios, como rastreabilidade sanitária e certificação do uso de medicamentos.
As autoridades europeias indicam que o Brasil não conseguiu demonstrar de maneira satisfatória que o uso de substâncias antimicrobianas foi interrompido ao longo de toda a cadeia produtiva destinada à exportação.
Antimicrobianos: o que são?
Antimicrobianos são medicamentos utilizados para combater microrganismos, como bactérias e vírus. Na pecuária, eles podem ser utilizados tanto para tratar doenças quanto para promover o crescimento dos animais. A União Europeia proíbe o uso de antimicrobianos que também são essenciais para o tratamento de doenças em humanos, visando prevenir a resistência antimicrobiana.
Entre os antimicrobianos restritos estão substâncias como virginiamicina, avoparcina e tilosina.
Possibilidade de reversão da decisão
Para que o Brasil retorne à lista de países autorizados a exportar para a União Europeia, é necessário garantir o cumprimento das exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos em toda a cadeia produtiva. Assim que a conformidade for comprovada, a UE poderá reavaliar sua decisão.
O Brasil tem duas opções: aumentar as restrições sobre o uso de medicamentos ou implementar mecanismos de rastreabilidade mais rigorosos. A segunda alternativa é considerada mais desafiadora, pois requer um monitoramento detalhado e certificações adicionais, acarretando custos maiores para produtores e frigoríficos.
