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Copa do Mundo nos EUA: Segurança Antidrones sob Teste em Escala Sem Precedentes

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A próxima edição da Copa do Mundo, sediada nos Estados Unidos, está se configurando como um marco na aplicação de tecnologias de defesa contra aeronaves não tripuladas (drones) em grandes espetáculos esportivos. Em onze cidades norte-americanas, autoridades governamentais e forças de segurança estão implementando um robusto arcabouço de sistemas desenvolvidos para identificar, monitorar e desativar drones que se aproximem das áreas dos estádios.

O Congresso estadunidense concedeu permissão especial para que agentes de segurança possam, em circunstâncias extremas, neutralizar equipamentos aéreos não tripulados considerados um risco iminente durante o torneio. Contudo, a diretriz primordial enfatiza a neutralização segura dos dispositivos, priorizando evitar ações mais enérgicas. O uso desautorizado de drones para fins recreativos nas proximidades das partidas será rigorosamente penalizado, com multas que podem atingir a marca de 100 mil dólares.

Essa intensificação regulatória reflete uma preocupação que transcendeu o plano teórico. A ampla disponibilidade de drones de custo reduzido e fácil acesso amplificou os perigos potenciais, sobretudo em relação à adaptação desses equipamentos para o transporte de explosivos. A experiência observada em conflitos recentes, como a guerra entre Ucrânia e Rússia, influenciou diretamente a formulação das estratégias de segurança para eventos civis de grande visibilidade.

O plano de segurança dos Estados Unidos para a Copa do Mundo prevê um aporte financeiro de aproximadamente 500 milhões de dólares distribuídos ao longo de dois anos. O objetivo central é edificar uma rede de proteção capaz de detectar qualquer drone não autorizado antes que ele possa representar um risco concreto para o público ou para a infraestrutura dos estádios.

Avanços Tecnológicos e Estratégias de Neutralização

Entre as corporações envolvidas na iniciativa está a dinamarquesa MyDefence, uma especialista em sistemas de defesa contra drones. O CEO da empresa para a América do Norte detalhou, em entrevista, que a tecnologia empregada não se baseia na invasão direta do controle do equipamento, mas sim na interrupção de seus sinais e na capacidade de assumir o comando da aeronave.

Segundo o executivo, os sistemas são capazes de discernir a natureza de um sinal detectado, diferenciando entre um drone autorizado e um não-conforme. Ele descreve a “ameaça não-complacente” como um espectro que vai desde operadores sem licença até cenários mais graves envolvendo o uso malicioso da tecnologia de drones.

Os sistemas em operação permitem que os drones sejam compelidos a aterrissar ou a retornar ao ponto de origem, dependendo dos protocolos de segurança estabelecidos. A premissa fundamental, conforme os operadores, é minimizar o risco ao máximo sem a necessidade de recorrer à destruição física dos aparelhos.

A MyDefence, que já ofereceu suporte no monitoramento de drones em zonas de conflito como a Ucrânia, enfatiza sua experiência na área desde 2013, expandindo sua atuação nos Estados Unidos a partir de 2019. Para o CEO, o cenário norte-americano apresenta uma particularidade: a facilidade de acesso a componentes de baixo custo para a montagem de drones improvisados.

Essa realidade expande o leque de possíveis ameaças, tornando mais complexa a distinção entre uso recreativo, negligência operacional e intenção hostil. O executivo ressalta a simplicidade na aquisição de peças para montar esses dispositivos.

Até o final de julho, as operações dos sistemas antidrones nos estádios e FanFests serão gerenciadas por equipes contratadas pelo governo norte-americano, em colaboração com empresas privadas especializadas. A localização exata dessas operações é mantida em sigilo por motivos de segurança, visando integrar diversas tecnologias em uma malha de proteção contínua ao redor dos eventos.

O reforço da segurança não se restringe apenas ao espaço aéreo. A partida final da Copa, programada para 19 de julho em Nova Jersey, já tem confirmada a presença de altas autoridades políticas, incluindo o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o ex-presidente Donald Trump. Espera-se que o evento conte com aproximadamente oito mil agentes de segurança na área do estádio, um contingente que duplica o efetivo geralmente mobilizado em finais da NBA.

Mais do que uma celebração esportiva, a Copa do Mundo nos Estados Unidos ilustra a atual conjuntura global de segurança: tecnologia avançada, vigilância intensificada e a crescente necessidade de resguardar indivíduos e infraestruturas contra riscos que, antes, eram predominantemente associados ao âmbito militar.

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